[Crítica] Certas Mulheres

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Filme de Kelly Reichardt, o drama episódico Certas Mulheres (Certain Woman no original) mostra a vida de algumas mulheres que residem em Livingston, Montana. O filme ganhou notoriedade por estar na seleção do Festival de Sundance em sua edição de 2016 e contém um caráter feminista interessante, em especial em sua primeira história.

O primeiro segmento mostra a advogada Laura Wells (Laura Dern), uma mulher inteligente e ótima profissional que se encarrega do caso de Fullher (Jared Harris), um operário que foi vitimado em um acidente de trabalho. O drama dela é que apesar dos muitos avisos, o cliente simplesmente não a ouve, demonstrando um velho clichê machista de se ignorar a voz feminina unicamente por ser a de uma mulher. Das histórias é a mais interessante, especialmente pelo atabalhoada final e pela química interessante entre Dern (melhor atriz do filme, alias) e o carente personagem de Harris.

A segunda história é protagonizada pela premiada Michelle Williams (Gina Lewis), que com seu marido uma casa, tentando então conversar com Albert (Rene Auberjonois) para conseguir o terreno do homem idoso. Neste ponto, nada acontece, há pouca movimentação e toda a trama soa desinteressante, exatamente por não existir qualquer necessidade dos eventos ocorrerem daquela forma. Tudo soa frívolo e é aqui que o drama aqui cai de qualidade, se tornando moroso e cansativo, fator que chega a denegrir até o próximo evento, que envolve a professora Beth Travis, vivida por uma tímida e contida Kristen Stewart, e que sofre com a obsessão de Patty (Ashlie Atkinson), uma moça carente que só busca aceitação e empatia da mesma.

O tomo três é mediano, bem melhor que o segundo, mas a esse ponto o todo já estava comprometido. É válido mostrar uma pessoa que tem uma obsessão pela outra sem necessariamente apelar para a violência ou agressividade, uma vez que esses fatores não acontecem sempre em questões de stalker. Próximo ao final, Reichardt resgata os personagens que deram certo e que funcionaram bem, conseguindo então um desfecho que é bastante digno para suas personagens femininas fortes, ainda que sua estética e o modo de contar história soe um pouco desinteressante, graças ao terço do meio de seu longa.