[Crítica] Chumbo Grosso

hotfuzz

Quem é familiarizado com o cinema “nerd” britânico deve conhecer bem o trio Edgar Wright, Simon Pegg e Nick Frost, pois ao contrário das produções homogeneizadas dos EUA que vão de Kevin Smith a Big Bang Theory, na Inglaterra o humor de referência atinge níveis mais maduros e com resultados bem mais inteligentes.

Chumbo Grosso está nesse patamar. Depois do já excelente Shaun of the Dead (Todo Mundo Quase Morto), que faz uma sátira dos filmes de zumbi, agora o trio vem com um filme satirizando de forma inteligente os gêneros de ação/policial e investigação-de-um-homem-só-que-decide-fazer-justiça-com-as-próprias-mãos.

Nicholas Angel (Pegg) é um dos melhores policiais de Londres, sendo bom ao ponto de causar inveja nos demais homens da lei. Por causa disso, é transferido por seus superiores para a pequena cidade de Sandford, que possui o menor índice de criminalidade de toda Inglaterra. Chegando lá, forma parceria com o curioso Danny Butterman (Frost) e começa a achar estranho o fato de acontecerem muitos acidentes na cidade, além de ninguém ficar preso e muitas pessoas simplesmente desaparecerem. Como bom policial que é, resolve ir a fundo na investigação desses eventos.

Os dois primeiros atos são relativamente monótonos e se preocupam mais em nos situar geograficamente em uma vila no interior da Inglaterra, quando um policial exemplar de Londres é transferido pra lá. Depois, são somente descobertas em cima de uma possível grande conspiração na cidade.

Porém, toda essa discrição só serve para o clímax final, que ao mesmo tempo subverte e se condiciona aos clichês do gênero, pois se em um filme tradicional o policial ao menos pediria ajuda, aqui ele encarna o “policial oitentista” (referenciado em filmes como Caçadores de Emoção) e parte para a guerra armado até os dentes, aproveitando cada momento para fazer uma piada em cima de uma piada (quando por exemplo, ao derrotar um dos vilões em uma briga, Frost pergunta a Pegg se após deixa-lo no freezer desacordado, falou a frase “fica frio”, típico fim de cena de luta no cinema de ação americano). Basicamente é um cinema de fãs para fãs, respeitando a originalidade de se contar uma história clichê, mas divertida e não ofensiva. Destaque também para as várias participações especiais, como por exemplo, Timothy Dalton, Martin Freeman, Bill Nighy, entre outros.

O único aspecto negativo que percebi foi a forma que algumas cenas de ação foram filmadas. Com muitos cortes, sempre rápidos, e focados de forma a nos desviar de perceber algum erro de coreografia na luta, às vezes fiquei confuso tentando entender quem estava batendo em quem e com o que. Porém, nada que tenha estragado a experiência final do filme, pois cenas assim se repetiram em torno de duas vezes durante todo o longa. No modo geral, é um bom filme para quem gosta de uma boa comédia policial.

Texto de autoria de Fábio Z. Candioto.