Crítica | Ciganos de Ciambra

O italiano Jonas Capigniano conduz o drama Ciganos de Ciambra, que acompanha a trajetória de um jovem que vive numa aldeia nômade, de nome Pio (Pio Amato), um garoto que não consegue aceitar os inconvenientes de ser apenas uma criança. Seu cotidiano normalmente ocorrem envolvendo fumar, beber e praticar atos que somente os adultos fazem. O começo de sua jornada envolve acontecimentos engraçados, ainda que esses envolvam proximidade de gente perigosa.

A rotina do rapaz envolve a convivência com as dezenas de crianças da sua comunidade e os marginais com quem seu irmão Cosimo (Damiano Amato) tem relações de trabalho. A mesa de sua família é sempre repleta de pessoas, com idosos, pessoas de meia idade e muitas crianças. A ideia do roteiro é mostrar que a união do clã dos ciganos não difere tanto das famílias tradicionais italianas, quebrando possíveis argumentos preconceituosos da parte de um público mais conservador. Aliás todos os parentes de Pio realmente são de sua família, pois boa parte do elenco tem o mesmo sobrenome, Amata.

Cosimo finalmente é preso e isso obriga obriga o protagonista a assumir boa parte dos afazeres de seu irmão, para tentar levar alguma forma de sustento a sua família, que tinha muitas bocas para alimentar. O visual e o ambiente do filme faz lembrar outro expoente do cinema italiano recente que fez sucesso, Gomorra, de Matteo Garrone, embora esse seja muito mais lúdico e fantasioso que o outro, até por ser todo protagonizado por uma criança que apesar de se envolver na criminalidade, tem desejos e anseios muito simples e fáceis de realizar, bastando poucos atos ilícitos para conseguir cumprir os luxos que tenciona consumir.

A câmera de Capigniano contempla lugares áridos e muito pobres, habitados obviamente pelos estrangeiros que tentam uma alternativa de vida melhor economicamente na Europa. A realidade desses personagens é muito parecida com a dos refugiados pelo mundo enquanto a de Pio é muito parecida com o cotidiano de muitos meninos que moram nas favelas das grandes cidades, normalmente ludibriados pelos bandidos maiores, para que façam parte do trabalho sujo que eles não querem, em troca de uma ilusão efêmera.

O filme se encerra de maneira abrupta, mostrando o garoto observando um dia comum seu, vestido apenas com as incertezas que cercam o seu futuro, sem qualquer previsão de bonança ou algo que o valha, uma vez que se ele for seguir as estatísticas, certamente perecerá. Ciganos de Ciambra consegue conciliar muito bem um clima divertido e inocente junto a malicia da vida adulta se aproximando de Pio, estabelecendo um equilíbrio impar dentro do longa-metragem ao conseguir manter fluido partes tão diferentes das etapas principais da vida de puberdade juvenil pela qual  Pio passa.

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