Cinema

[Crítica] Cinco Graças

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Cinco Graças 1

Situado em uma aldeia no norte da Turquia, o roteiro de Cinco Graças explora as desventuras de cinco irmãs, que são criadas exclusivamente para o ofício de esposas, em casamentos arranjados em futuro próximo e prematuro, conceito distante da tradição mundial atual, em permitir que a mulher possa tomar as suas decisões sobre o seu próprio destino.

O filme de Deniz Gamze Ergüven toca em questões aviltantes, desde seu início recriminando o recalcante comportamento que tole pequenos atos de boba e ingênua imoralidade ocorridas nas brincadeiras infantis. Um boato malfadado faz com que Lale e suas irmãs sejam tratadas como criminosas pelos tios que as criam, restringindo o alvorecer da libido, bem como o crescimento saudável das mulheres que afloram a partir das experiências antes infantis, que evoluem para juvenis.

O quinteto vive suas experiências de modo unido, desde a época da recém orfandade, driblando inclusive as faixas etárias diferentes. A medida que cada uma é cortejada, com o contingente diminuindo, sente-se uma falta enorme, tanto por parte dos personagens, quanto da trama, que perde cor, brilho e interesse cultural. As melhores aventuras são as que reúnem a totalidade das moças, fato cada vez mais raro à medida que as esposas assumem seu lugar enquanto cônjuges de homens que sequer permitem que elas falem.

A denúncia que Ergüven produz torna-se ainda mais cara por ser orquestrada por uma cineasta mulher, acompanhando o embate por um roteiro que evita banalizações e pasteurizações do drama mostrado, exibindo a dor inescapável fruto do terrível, triste e irrefutável destino que é imposto às moças, que encontram alternativas rebeldes para o restante de suas ainda breves vidas, servindo para propagar uma ode à liberdade merecida por todas.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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