[Crítica] Conexão Escobar

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Pablo Escobar está na moda. Desde que a Netflix lançou Narcos, o maior traficante de drogas de todos os tempos ganhou status de ícone pop. Desde então, a curiosidade das pessoas sobre a sua história ficou aguçada. Entretanto, Conexão Escobar não é um filme centrado em El Patrón, mas em um agente alfandegário americano que se infiltrou em seu cartel.

O filme conta a história de Robert Mazur, o agente da alfândega americana que, nos anos 80, se infiltrou no cartel de Escobar juntamente com Emir Abreu e Kathy Ertz com o intuito de desmantelar todo o esquema de lavagem de dinheiro do cartel de Escobar. O longa, cujo nome em inglês é The Infiltrator, é baseado no livro homônimo escrito pelo próprio Mazur.

Por ser baseado em um livro que reporta fatos reais, o roteiro escrito por Ellen Brown Furman não possui um único ponto de apoio. Há uma multiplicidade de subtramas, que vão desde os problemas decorrentes de um trabalho infiltrado, como também os conflitos morais que a investigação gera no trio de agentes, principalmente no protagonista. Há uma fuga de soluções fáceis e de clichês, o que deixa o espectador positivamente surpreso. Entretanto, a direção de Brad Furman, de O Poder e a Lei, acaba sendo um pouco irregular. Furman tem muito esmero em trabalhar os personagens, com uma atenção especial em suas reações e emoções durante toda a investigação. A atmosfera de tensão que o diretor constrói em alguns momentos faz com que o espectador se insira no filme e habitualmente se coloque no lugar do protagonista e de seus parceiros. Porém, há um contraponto nisso tudo. Em determinados momentos, o diretor se entrega ao melodrama fácil, comprometendo a agilidade do filme e deixando a sua direção um pouco irregular.

A fotografia de Joshua Reis consegue captar muito bem o trabalho de cenografia, que expressa muito bem o que foi a década de 80. Em conjunto com o figurino idealizado por Dinah Collins, toda a ambientação é muito bem trabalhada, principalmente na oposição dos ambientes glamourosos frequentados pelo protagonista Bryan Cranston e nas periferias escuras por onde o personagem de John Leguizamo costuma fazer incursões. A trilha sonora composta por Chris Hajian e as músicas da época apresentadas durante o filme também ajudam na imersão do espectador.

Conexão Escobar também se beneficia da escolha de elenco. Cranston emula o Walter White de Breaking Bad em vários momentos, expressando muito bem os conflitos morais a que o seu personagem enfrenta. Leguizamo, está muito bem como Emir Abreu, o agente que é o oposto do protagonista Robert Mazur. Seu personagem é malandro e tem muito conhecimento de rua e é interessante observar como ele e Cranston trabalham a dinâmica dos dois, uma vez que ao longo da operação surge uma relação de amizade e extrema confiança mútua. Diane Kruger também se destaca como a novata Kathy Ertz, adição de última hora à operação. Sua personagem possui nuances interessantíssimas que fogem da lugar-comum da agente iniciante que somente assume posturas reverenciais aos mais escolados ou comprometem as investigações e além de compreender isso, a atriz torna a personagem magnética.

Ainda que não seja um filme perfeito, Conexão Escobar cumpre bem seu papel de contar uma boa história sobre como os Estados Unidos iniciaram a sua cruzada contra Pablo Escobar.