Crítica | Confissões de Um Espião Nazista

Produção da Warner Brothers, lançado em 1939, Confissões de Um Espião Nazista é uma obra comprometida com o anti belicismo e com um discurso anti nazista, e ele não perde tempo uma vez que acaba o anúncio com o nome do filme, é mostrado um misterioso narrador, contando os fatos do cenário político internacional do final dos anos 30, revelando detalhes do drama a partir de uma vila escocesa no ano de 1937. Ali todo o caráter conspiratório é iniciado, mas ainda de maneira misteriosa, e que se desenrolaria só depois de algumas outras sub-tramas serem reveladas.

O formato da historia é muito curioso para dizer  o mínimo. Os primeiros momentos são como um prologo, indo depois para uma reunião, em território americano onde se veem bandeiras com suásticas ou com outros símbolos tipicamente usados pelo partido nacional socialista e pelas autoridades alemãs, ao lado de bandeiras dos Estados Unidos, e nesse lugar ocorrem reuniões de grupos extremos, mostrando que a influência hitlerista ia muito além do continente europeu, já que esse agrupamento ocorria em uma embaixada, ou seja, com anuência do governo.

Na tal reunião há palavras de ordem contra a mistura racial, e uma valorização dos ideais arianos, de raça pura, acompanhado por uma plateia onde existem jovens, entre eles o personagem Schneider (Francis Lederer), que por sua vez, é observado ela outra ponta dessa estranha trama, o agente federal Edward Renard de Edward G. Robinson, que pressiona o jovem ao longo do filme para entregar detalhes dos planos do tal grupo.

Tanto Robinson quanto Lederer se entregam bastante aos seus papeis, parecem realmente dispostos a desempenhar os estereótipos do agente do FBI cheio de artimanhas e o jovem iludido por uma ideologia torpe e que parece bem intencionada quando prega aos seus convertidos, mas o mais surpreendente no filme de Anatole Litvak é que esse é só um dos fatores importantes do filme, uma vez que há alguns outros tipos de abordagens. As especialidades do cinema de Litvak são duas: thriller e obras sobre a guerra. Seus outros filmes famosos são Ataque Nazista e Batalha da Rússia, dois documentários propagandistas, e perto do fim de sua carreira ele fez também filmes de suspense, e nesse Confissões de Um Espião Nazista ele mistura ambos estilos, ora apelando para uma hiper realidade documental, misturando com momentos de propaganda pró Aliados, fazendo o núcleo onde ocorre a tal espionagem e investigação com bastante tensão. Além disso a linguagem comercial do filme facilita a sensação de apreensão em quem assiste.

Os grupos pró nazismo são tratados como delirantes com mania de grandeza, mas não são subestimados por Renard e por seus homens, ao contrário, há um foco de encara-los como inimigos não só da soberania dos países, mas também como adversários da humanidade em geral. Não há pudor em denunciar o autoritarismo alemão e esse caráter o se intensifica na meia hora final. Os letreiros e narrações denunciam a arbitrariedade de Hitler e a hipocrisia do mesmo, usando pretextos dos mais esfarrapados para invadir republicas independentes europeias.

Por mais estranha que seja toda essa mistura resulta em um filme muito potente e a frente do seu tempo, principalmente por denunciar a maquina de propaganda nazista, mostrando detalhes  do envio dos folhetos via correios, fato que conversa com a trama apresentada lá no início. O apelo para o perigo que acometeu os Estados Unidos também é muito bem grafado, e embora seja uma trama de ficção, há muita alusão a realidade, e ao desejo expansionista do Fuhrer em espalhar a mentalidade dos que se julgavam superiores e puros de raça para os países do continente americano, incluindo até a America Latina nesse planejamento.

Em 39 os Estados Unidos não havia entrado no conflito mundial, mas os esforços de guerra já eram conhecidos, através desse tipo de ação artística e social vista em Confissões de Um Espião Nazista, inclusive aludindo a possibilidade – um pouco conspiratória mas ainda assim preventiva 0 de que os Estados Unidos corriam o risco de ser ocupada pelo III Reich como foi a Tchecoslováquia, tendo isso sido evitado entre outros fatores por ações como a feitoria deste filme, que não tem receio de vociferar contra o Eixo no meio desta época tão conflituosa.

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