Crítica | Corpo Delito

Corpo Delito é um filme que acompanha Ivan Silva, ex-presidiário, que tenta levar sua vida comum apesar de sua tornozeleira eletrônica. A estética escolhida por Pedro Rocha é de extremo naturalismo, com a câmera acompanhando o documentado ao longo dos 73 minutos de sua exibição.

Os dias de Ivan são sempre os mesmos, como se estivesse em uma prisão, dando um significado extra para o termo prisão domiciliar. A maior das tentações e desejos de Ivan é conseguir se locomover sem a máquina que indica seu paradeiro, para basicamente ter uma vida comum e normal, andando pela Favela dos Índios e arredores de outras comunidades da capital cearense, Fortaleza. Durante sua exibição, acompanhamos a ida do rapaz a um evento social. Enquanto ele se diverte, ocorre uma revista que o relembra dos motivos em andar sempre receoso desde sua condenação pela justiça.

Mesmo que não seja de forma oficial, Corpo Delito pára quando ocorre um fato importante na trajetória de Ivan, evento que cerceia sua esperança de viver e o recoloca em uma situação que o este jurou não viver mais. Essa virada seria mais valorizada caso tivesse um pouco mais de ação dentro do filme de Rocha, já que o diretor pareceu muito preso ao formato que escolheu primariamente para sua obra. Ao menos, se demonstra uma face do Brasil que é sumariamente ignorada pela elite do país.

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