Crítica | Crítica Batman vs Tartarugas Ninjas

Parceria entre a Warner Animation e Nickelodeon, o filme de Jake Castorena começa misterioso, apresentando um traço bem infantilizado, ao estilo dos últimos seriados animados de ação que a Cartoon Network passam mais ou menos no limiar entre Batman e as Tartarugas Mutantes Ninjas Adolescentes. A primeira cena dá conta de Barbara Gordon, num laboratório, sendo atacada por vilões com shurikens, mas antes que ela reagisse, uma silhueta ao estilo ninja aparece e a salva.

O longa é divertido já no início, antes mesmo da abertura estilizada, muito bem feita e acompanhada da música de Kevin Riepl, a Batgirl está em cima de um prédio, conversando com alguém que ela chama de Bruce, e em segundo plano, aparece uma gárgula, numa clara referencia a série  animada do Homem Aranha dos anos 90, onde o Teioso conversava com uma estátua inanimada também, que tinha o primeiro nome da identidade civil do Batman.

Batman VS Tartarugas Ninjas é muito mais que um filme de referencia. A mistura de universos tão diferentes é inteligente e um esforço bem bonito. As cores são vívidas, mas não se abre mão nem do clima dark das revistas originais de Kevin Eastman e Peter Laird onde as tartarugas adolescentes foram introduzidas, assim como há todo um clima de gibi clássico de Neal Adams e Denny O’Neil na parte que toca o Morcego. A mistura dos vilões, com o Pinguim e seu bando e o clã do Pé também é uma inteiração engraçada.

Talvez o único senão visual, seja a caraterização das tartarugas, que para se diferenciar uma das outras, acabando tendo traços meio minimalistas, principalmente Donatello e Michelangelo, mas uma vez que se acostuma, isso se torna passável, sem falar que nas lutas, as ninjas funcionam bem melhor do que quando estão estáticas.

Há também um equilíbrio entre lutas mais sérias e outras pautadas na galhofa. Batman contra Destruidor é um dos momentos mais legais dentro das animações recentes da DC, bastante bem animada, violenta, agressiva e com boas referências a artes marciais. Por sua vez, quando o Cruzado Encapuzado enfrenta o quarteto de heróis, a entrada dele faz lembrar os momentos da abertura de Batman: A Série Animada. Além de Donatello, Michelangelo, Leonardo e Rafael como personagens engraçados, há também o insetoide Baxter Stockman como alivio cômico, personagem esse que faz o intermediário entre a Liga das Sombras e o Clã do Pé, alias, unir Destruidor e Ras AllGhul é das melhores idéias que poderia se ter ao mesclar universos tão diferentes, embora dificilmente o vilão imortal buscasse lançar mão do uso de mutações em seus asseclas.

Quanto o filme passa da metade, há mais confrontos entre heróis e vilões, além de seguir a regra básica de crossover, com união dos personagens bons e dos maus também. Nesse contexto, suavizam a figura do Robin que Damian Wayne faz, e alguns vilões se tornam animais antropomorfizados, sendo a maioria bem bizarra. O filme funciona melhor quando pouco se leva a sério, as lutas finaiis são bem divertidas, tem um cunho mais escapista, que remete aos clássicos do Batman dos anos 60, inclusive no clima camp do seriado de Adam West, e depois de uma bela cooperação entre os personagens, há uma série de reimaginações de capas clássicas do Batman, Batman e Robin, Liga da Justiça e das Tartarugas envolvendo os heróis em confronto e unidos também, com direito a uma cena pós crédito que inclusive faz referência a uma possível amalgama entre os universos, abrindo possibilidades para mais continuações para o longa.

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