[Crítica] Dark Star

Dark Star 1
Fruto do início da trajetória cinematográfica de duas personalidades históricas, Dark Star traz a estréia na direção de John Carpenter, já evocando a claustrofobia através de cenários curtos, que seria a tônica de seus futuros trabalhos, aliado ao roteiro de Dan O’Bannon, que aludiria ao receio e paranoia espacial de encontrar figuras atemorizantes durante a corrida espacial setentista, que resultaria na inspiração – junto a Duna de Jodorowsky – no arquétipo de Alien o Oitavo Passageiro, inclusive no visual.
A aparência dos astronautas como homens barbudos e de fala simples alude ao grupo de sete tripulantes da Nostromo, ainda que falte entre eles qualquer figura que meramente lembre uma beleza feminina aliviante, ao contrário, como dito no início, não há muito espaço para esperanças dentro do minúsculo compartimento de viagem, que já teve sua primeira baixa antes mesmo de a história começar a rodar.
A música composta por Carpenter além de servir de recurso narrativo, faz lembrar o quão pessoal é a fita, que conta com a trilha original de seu diretor e com a atuação e supervisão de efeitos especiais de seu roteirista e co criador. O tom de humor reúne elementos tanto de comicidade escrachada quanto de acidez, transitando na linha tênue entre não levar-se a sério e ainda tentar provocar em seu público uma sensação de incômodo. O maior avatar desse aspecto dúbio é a figura do alienígena que Pimback (O’Bannon) trouxe a bordo para ser a mascote da expedição. A composição da criatura não passa de uma bola de gás, pintade de laranja e repleta de manchas arredondadas, com dois pés bem toscos nas extremidades, mas tal figura põe o astronauta em questão em apuros muito sérios.
Dark Star 3
A temática mais discutida dentro do roteiro é a loucura provinda do isolamento e do confinamento, tecendo uma crítca séria ao sucateamento das condições humanas de trabalho, claro, com muito mais humor do que no episódio Nostromo, mas ainda assim em uma proposta bastante ousada para o ínfimo preço de toda a produção. Dark Star serve tanto como uma extensão de alguns temas discutidos em 2001, especialmente dos mais superficiais, como o receio de ser tragado pela máquina e medo do inevitável, bem como funciona como uma paródia do clássico de Clarke, já que segue na mesma esteira visual que Kubrick pensou, influindo bastante no conceito imagético escolhido por George Lucas para sua trilogia famosa.
Apesar das condições precárias, Carpenter e O’Bannon conseguem reverenciar o cinema de ficção científica que os precedeu, prestando louvor mas sem se desapegar da modernidade, ajudando a pavimentar o caminho que as futuras space óperas teriam. A proposta simples aos poucos ganhou ares de grandiloquência, ainda que seja comumente subestimada em sua importância.