Crítica | De Encontro Com a Vida

De Encontro Com a Vida é um filme leve, do diretor Marc Rothemund, e que acompanha a jornada biográfica de Saliya Kahawatte (Kostja Ullmann), um rapaz jovem, sorridente e otimista , que vê seus sentidos falharem, passando a enxergar tudo embaçado graças a um descolamento repentino de retina, ele perde 80% da visão, e deve se submeter a uma cirurgia para consertar isso, a fim de preservar um pouco de sua visão.

Um drama se instaura na família do rapaz e alguns de seus familiares se tornam passivo agressivos, em especial seu pai, por temer como seu filho seguirá sua vida profissional a partir dali. Entre devaneios, o rapaz se sente com um instinto superior, que o faz ser exímio em tarefas de raciocínio, como a matemática, e isso o ajuda a superar um pouco a rejeição paterna que recebe, daí ele decide entrar no ramo hoteleiro por conta própria, viajando então para um hotel luxuoso da capital alemã.

A fórmula do roteiro de Oliver Ziegenbalg e Ruth Toma envolve elementos que fazem ele lembrar as novelas mexicanas mais melosas, graças a mão pesada no melodrama, e um bocado de material literário de auto ajuda. Não há muita sutileza no modo de mostrar a tentativa de Sali em superar seus receios e inseguranças por ter uma visão quase nula, sendo tão caricatos os eventos que ocorrem consigo que fazem até lembrar o fenômeno recente de filmes cristãos que ocorrem no continente americano, como Deus Não Está Morto e Deus Não Está Morto 2 e o brasileiro Nada a Perder, com a diferença óbvia desse ter só a estética dos exemplos, e não o caráter corruptor e mesquinho das obras citadas.

Em meio às desventuras que tem, encontra o trambiqueiro Max Schroeder (Jacob Matschenz), que também quer entrar no hotel, e eles passam a ser treinados. Há pouca sutileza ao mostrar o personagem superado a sua cegueira, seja lidando com o trabalho no hotel, seja flertando ou brincando com o filho da moça que tenta conquistar. A positividade do texto não consegue esconder a forçação e total falta de verossimilhança da trama.

Apesar da temática e narrativa cafona, De Encontro com a Vida entretém a parte do público que vai atrás de comédias adocicadas e de histórias de superação. A cinebiografia de Kahawatte não tem muita realidade impressa em tela, mas também não ofende seu espectador com uma mensagem conservadora ou algo que o valha, ela ao menos não tenta mostrar uma história de meritocracia pura, afinal mesmo para chegar onde chegou, o herói da jornada precisa de muita ajuda, e não vai até o topo da cadeia de trabalho se valendo apenas de seu esforço puro.

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