[Crítica] Deadly Adoption

A Deadly Adoption 1

Executado de maneira próxima ao formato de telefilme, Deadly Adoption é dirigido por Rachel Goldenberg (do jocoso Z Nation) com texto de Andrew Steele, que já havia trabalhado com Will Ferrell em Casa de Mi Padre. A premissa do filme é “séria”, apesar do protagonismo dos ex-astros do Saturday Night Live; na verdade tem o tom e paródia dos grandes dramas do próprio Lifetime.

Sarah (Kristen Wiig) e Robert Benson (Ferrell) são um casal feliz no começo da fita, que vivem dos louros do marido best-seller, mas que se veem em um trauma enorme: um acidente caseiro que os faz perderem seu bebê ainda em gestação. A partir dali, dramas cotidianos seriam retratados sob cenas em ambientes abertos e de luz predominante, como nas novelas dos Estados Unidos, além de mostrar um script cheio de falas toscas que explicitam de modo óbvio a vida comum do subúrbio.

A busca de um novo filho ocorre cinco anos após o fatídico acontecimento, e Robert se torna muito desconfiado, mesmo ao tentar adotar uma criança, somente melhorando sua visão a respeito ao conhecer Bridgette (Jessica Lowndes), uma linda moça grávida, que aos poucos passa a habitar o cotidiano da família, inclusive abraçando de modo terno a pequena Sully (Alyvia Alyn Lind ), filha do casal que é superprotegida pelo patriarca graças aos seus problemas com glicemia.

Aos poucos, se desenvolve uma estranha relação da moça, a qual se dizia leitora de Benson e que tenta se aproximar lascivamente do pai da família, semelhante ao visto em A Mão Que Balança o Berço, ainda que de modo suave e pasteurizado, e supostamente sem ideais de assassinato – ao menos não tão escancarado quanto a versão com a babá. De maneira bem óbvia, há uma exploração do passado do escritor, explicitando de modo imbecil suas indiscrições no passado. Ainda que o tom de humor seja sutil demais em comparação com os demais filmes de Ferrell, é praticamente impossível não notar que os dramas apresentados possuem um tom de pastiche, mesmo para os desavisados.

Uma trama de rapto logo se desenvolve, do modo mais sensacionalista e pífio possível, com um protagonista completamente engessado e sem capacidade de sentir qualquer coisa que não esteja previamente programado em sua rotina. As cenas que exigem maior talento dramatúrgico são feitas com coreografias e rotinas bastante patéticas, pois os criminosos são estúpidos, só perdendo em burrice para os personagens que fazem parte da mentalidade média americana.

A irrealidade de Deadly Adoption se aproxima de ser engraçada, mas o tom ainda não vence. Claro como os olhos azuis de Ferrell, o filme guarda suas besteiras para um final em que o comediante banca Chuck Norris, pegando emprestado sua barba, sua pose de herói falido e uma trilha sonora tosca, que tenta ser edificante, tudo isso para remir seus pecados, traumas e afins, ao tentar achar sua filha e claro, exibir seu dublê – que nada tem a ver com o ator original.

Os atos de bravura maniqueístas ganham ações de praticamente todos os membros do principal núcleo familiar, aumentando o nível de cafonice a camadas estratosféricas, que automaticamente tratam de fazer o clã vencer seus medos. Tudo a ponto de terminar o longa fazendo passinhos de dança, que explicitam o caráter de deboche que a obra teimava em não imprimir em toda sua extensão, o que faz causar lamentos, já que ela poderia ser bastante engraçada e apenas arranhar a superfície.