Crítica | Deserto

Filme de estréia na direção de Guilherme Weber, Deserto é um longa cuja ambientação se faz em um cenário arenoso, tal qual seu titulo. Inspirado no romance Santa Maria do Circo do escritor mexicano David Toscana, o drama mostra uma trupe de circo, viajando pelo sertão, atrás de uma cidade onde se apresentar, normalmente chegando a lugar nenhum, até finalmente pairarem sobre uma cidade vazia.

O grupo é formado por pessoas muito diferentes com um conjunto de peculiaridades curiosas. O seu líder, vivido por Lima Duarte, é um artista frustrado, que não aceita a velhice que acomete a trupe. Na equipe, há também um anão com medo da morte, um mágico niilista com artrite, comediantes que não tem mais sanidade, enfim, pessoas decadentes e sem futuro que ao parar em um lugar vazio, passam a cogitar um outro estilo de vida, se apossando do lugar esmo que encontraram.

Após a morte do líder da trupe, os circenses decidem ficar em definitivo no lugar, e sortear entre eles as funções de uma cidade, tendo até o oficio da prostituição entre eles. A partir daí, a vida destes que antes era pacata, repetitiva e repleta de dissabores tediosos, passa a ser cheia de intrigas, discussões sobre seus destinos e trajetórias estranhíssimas. A civilização que deveria moldar o caráter dos antigos errantes, torna-os pessoas de índole péssima, cujo caráter terrível sobrepõe qualquer característica positiva.

A premissa que Weber e Ana Paula Maia tentam cumprir em seu roteiro funciona até um dado momento. Da metade para o final, quando acontecem a maior parte dos eventos, há uma confusão dramática enorme, que visa inverter expectativas. No final das contas, soa sensacionalista. Uma pena. Deserto parecia um filme com potencial para ser uma crítica social atemporal à sociedade ambiental, mas perde tempo em excesso mostrando os personagens tentando sobrepujar um ao outro, com base nas individualidades que já carregavam antes, vinda dos tempos de andarilhos. Fato que inviabiliza qualquer argumento de que a organização populacional vigente é aquela que corrompe o homem, jogando a culpa para as paixões que envolvem a condição humana. Isso não é necessariamente ruim, mas  uma situação genérica perto do que poderia ser uma grande obra.

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