Crítica | Deus Não Está Morto – Uma Luz na Escuridão

Focado inicialmente no Reverendo Dave (David A.R. White), Deus Não Está Morto -Uma Luz na Escuridão é mais um panfleto propagandista gospel, terceiro filme da saga Deus Não Está Morto, e mira na trajetória do pastor, que se envolve em um incidente estranho com a sua igreja, com um incêndio que faz vitimar um amigo seu. Tal qual nos outros filmes, uma perseguição começa e a universidade que detêm o campus onde está a igreja exige que os religiosos deixem o lugar.

Michael Manson é o diretor desse capitulo e este é seu primeiro longa metragem. Tal qual os outros filmes, esse também possui um roteiro fraco, repleto de lugar comum e discurso vitimista bobo, com situações esdrúxulas de perseguição acontecendo com o religioso unicamente porque ele se posiciona de maneira veemente como um homem de deus.

Dessa vez o ataque falacioso é sobre os pretensos justice warriors e pregadores da tolerância aos diferentes, o texto generaliza o comportamento de universidades e instituições de ensinos que aparentemente não dão chance a Dave de permanecer ali fazendo o trabalho que está acostumado a fazer, obviamente por conta de uma suposta perseguição religiosa, a essa que é a religião com mais adeptos nos Estados Unidos, que é a cristão protestante e/ou evangélica.

White não é bom ator, longe disso alias. Toda vez que ele contracena com qualquer outro interprete se nota o quão incapaz de representar qualquer sentimento ele é, e isso piora demais quando aparece a figura de Meg Harvey, feita por Jennifer Taylor e que está ali basicamente para representar o fruto proibido, a mulher inalcançável e da qual ele terá que fugir pelos extensos 106 minutos de duração. Há outros momentos vergonhosos, como uma briga envolvendo Dave, em que seu agressor desfere um soco tão forte nele, que acaba caindo junto. A intenção desse momento era causar tensão, mas só foi capaz de provocar riso.

Normalmente os defensores desse filão de cinema são fundamentalistas religiosos ardorosos, que confundem as críticas ao tipo de dramaturgia implantada a um julgar da fé e essa associação não poderia ser mais injusta. A série de filmes Deus Não Está Morto é um desserviço inclusive para os adeptos a fé cristã e crentes em Jesus Cristo pois os mostra como pessoas irracionais, intransigentes, ilógicas e incapazes de dialogar com qualquer pessoa que fuja ligeiramente da seara que essas pessoas tem algum domínio. Ser representado assim nada tem a ver com ser humilde e forte na fé, tem a ver sim com ser teimoso e movido apenas por isso pela insistência tola em estar na contramão unicamente para ser contrário a um sistema que não necessariamente está errado.

Não há nessa trilogia nenhuma discussão que vise desmantelar o status quo minimamente, ou qualquer fala que favoreça as minorias que o próprio Cristo defendia, tampouco há preocupação em garantir direitos aos pobres, aos flagelados, as viúvas, aos órfãos, mesmo que esses, segundo a Bíblia, tenham algumas prioridades sobre os demais, mesmo que segundo o apóstolo Paulo na segunda carta a Timóteo esteja grafada essa necessidade de cuidar desses. A sensação de perseguição aos cristãos além de deflagar um discurso extremamente falho e alienatório também denuncia o quão egoísta pode ser a lógica de alguns cristãos, que se ocupam demasiado de proteger suas propriedades e privilégios como se realmente alguém estivesse tentando tira-los.

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