Crítica | Diamantino

Há um aviso no começo da exibição afirmando que este é um filme fictício e que não há fatos ou pessoas reais expostos ali, e isso se dá porque Diamantino, novo longa de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt começa mostrando um jogador de futebol português que lembra o ex-melhor do mundo Cristiano Ronaldo. A obra leva o nome desse jogador, que é interpretado por Carloto Cotta, que aquela altura, está disputando entre os melhores do mundo e esperando a grande final que lhe fará (ou não) ganhar uma taça que seu time não tem.

Matamouros (sobrenome do protagonista) está em um iate e percebe um drone cercando sua embarcação, fruto esse do grande assédio e perseguição que sofre por ser uma celebridade e ter sua vida privada sempre exposta. Após perder um lance decisivo na Copa toda sua carreira é posta em descrédito e ele decide se dedicar a causas comunitárias, porque supostamente seu talento com a bola nos pés havia acabado – isso não é totalmente comprovado.

Todo o entorno dele é extremamente estranho, ele vive com duas mulheres belíssimas, que apesar de serem tratadas como suas irmãs, Sonia (Anabela Moreira) e Natasha Matamouros (Margarida Moreira), o tratam de maneira mimada, com tantos carinhos que há até a possibilidade real de tratar-se de algo incestuoso. A culpa e responsabilidade que recai sobre ele também é de se estranhar, uma vez que aparentemente ele levou seu time a uma final inédita praticamente sozinho.

O protagonista se envolve com comerciais estranhos e xenófobos, que pregam a saída de Portugal da União Europeia tal qual fez a Inglaterra no Brexit, mas ao mesmo tempo se envolve emocional e sexualmente com uma refugiada muito bonita. O roteiro de Abrantes e Schmidt apela para o lúdico, mostrando cachorrinhos em tamanhos gigantes em meio aos sonhos e ilusões de Diamantino, onde o esportista interage com eles, possivelmente referenciando as dificuldades que teve em manter sua carreira de jogador de alto nível viva, em contraponto a uma visão do homem comum que considera que sua rotina é somente de um homem privilegiado, e mesmo que seja assim, claramente ele tem suas agruras e dificuldades, ainda mais porque boa parte dos jogadores de futebol profissionais tem ao menos em sua origem algo muito humilde.

Diamantino é poético, tem um discurso e um desfecho em aberto, mostrando um homem que tem seu emocional arrasado basicamente pelas expectativas dos outros em cima de si, que apesar de ter financeiramente tudo, tem dificuldade em encontrar sua identidade, chegando finalmente a uma conclusão após perder boa parte dos luxos que sempre teve enquanto esteve na ativa.

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