Crítica | Dinossauro

Animação com gráficos em terceira dimensão que ocorria no início da exploração desse recurso, Dinossauro tem um cunho fantástico e lúdico. O início da trama mostra uma mãe iguanodon cuidando de seus ovos, empurrando um deles para a extremidade do ninho, fato esse que parecia bobo, mas que faria a criaturinha que nasceria ali começar uma jornada de sobrevivência que seria envolvida por uma série de acontecimentos e eventos bem incomuns.

Depois de ter sido praticamente o único sobrevivente do ataque de um carnotauro, e passar pelas mãos de outros repteis pré históricos, pelo seu caminho passam direta ou indiretamente Pachyrhinosaurus, um Oviraptor e um Pteranodon, além de alguns outros, até pousar sob uma árvore, onde mora uma família de lêmures, e depois de discussões sobre medo e receio de se tornarem presas dele, decidem por chama-lo de Aladar. Não demora a mostrar Aladar como um animal crescido, e nesse ponto se vêem muitas semelhanças do filme com o Tarzan que a Disney fez em 1999, um ano antes desse, com exceção é claro que a primeira cena do personagem já grande mostra ele fingindo ser um predador.

Aladar participa dos ritos de acasalamento dos lêmures, mas se percebe sem um par, e apesar de não falar, ele claramente está incomodado. Mas isto é algo subalterno, uma vez que ele vê luzes brilhantes no céu, lindas como um ultimo suspiro, e seria mesmo, pois os rastros coloridos acompanhavam meteoros, os mesmo em que se acredita serem os responsáveis pela extinção dos animais paquidérmicos. Logo, a praga chega até a ilha dos lêmures, e após serem perseguidos por Velociraptors, até encontrarem um grupo que é composto principalmente por iguanodons, os da raça de Aladar, e a partir dali começa um novo tipo de interação, basicamente com os animais tentando não serem extintos.

O grupo é liderado por Kron, um sujeito intolerante e individualista, que só pensa em sua sobrevivência e não pensa em outra coisa se não em seu bem estar, deixando de lado os animais que podem atrasa-los, entre eles, os mais idosos e os feridos. Essa ausência de solidariedade o faz um personagem complexo, mesmo em meio a simplicidade que o filme de Eric Leighton e Ralph Zondag trazem a luz.

A historia de Dinossauro é bem elementar e básica, mostra alguns poucos animais pacíficos tentando não serem mortos seja pela condição de caça dos temíveis Carnotauros, que por sua vez, são vilões visualmente assustadores e causam receio nos personagens pacifistas, ou da extinção que vem do alto. A mensagem final é de que a liderança que visa somar, que é a de Aladar é a mais eficaz em comparação inclusive coma Kron, que persiste em ser individualista e se enxerga como o único capaz de receber a iluminação da clarividência, ignorando Aladar basicamente por teimosia.

Tal qual a maioria dos filmes da Disney, o longa termina com uma lição de moral, e com os benfeitores vencendo quem se opõe a eles através de alguma ação natural, que aparenta de certa forma ser feita por uma entidade, acredita-se aqui que foi a Mãe Natureza que escolheu os iguanodons e demais especieis pacificas para viverem no paraíso idílico e não os carnotauros, raptors. As ultimas passagens são bastante poéticas, com as famílias dos dinossauros chocando seus ovos juntos, em uma bela demonstração de como o ciclo da vida pode ser algo realmente inspirador, e esse cunho mais inspirado é muito favorecido pela utilização da música James Newton Howard, que faz a mensagem de que não importa quanto tempo esses animais vivam, o importante é que eles sejam lembrados por sua simples existência, e ela é lembrada claro, em especial depois do lançamento de Jurassic Park.

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