[Crítica] Doentes de Amor

Dirigido por Michael Sholwater, a comédia Doentes de Amor brinca com tensões raciais entre casais. O primeiro momento do filme nos apresenta o comediante paquistanês Kumail (Kumail Nanjiani) chegando ao show de comédia que protagoniza. Durante seu número, ele conhece uma linda menina branca e loira, chamada Emily (Zoe Cazan).

Enquanto os dois apaixonados vão se entrelaçando, os pais de Kumail tentam forçá-lo a conhecer garotas de origem paquistanesa. O que se vê a partir dai é uma comédia de costume, onde se debocha da falta de traquejo das pretendentes do protagonista. Não demora até o filme chegar no ponto em que justifica o seu título, uma vez que Emily acaba tendo um coma induzido, graças aos produtos que toma para esquecer a frustração de não ter futuro com seu par. Logo, os pais de Emily, Beth (Holly Hunter) e Terry (Ray Romano), chegam a Chicago para dividir consigo a guarda pela convalescente.

Chega a ser estranho como o foco mais dramático (e dedo na ferida) do roteiro de Emily V. Gordon e Nanjiani não esteja na situação dramática da enfermidade da moça, e sim nas situações cotidianas. Em um show de comédia, Beth defende seu pretenso genro de um islamofóbico da plateia, logo depois dele quase recusar um convite do casal, a fim de não estreitar relações com ambos. A inesperada intimidade e o fortalecimento de laços faz com que cada vez mais fique gritante o choque de cultura da família paquistanesa com Kumail.

A pecha de drama disfarçada de comédia se fortalece nos últimos quarenta minutos. Nesse ponto, o longa lembra muito Tá Rindo do Quê?, de Judd Apatow, com uma temática ainda mais grave e urgente pois o fato trágico realmente está acontecendo aqui. A questão da doença de Emily  somente apressa algumas ações de fortalecimento das escolhas difíceis que o humorista tem que tomar. O fato de Doentes de Amor ser um filme autobiográfico só enriquece mais a história, que claramente não pretende ser um espelho da realidade, mas sim um grito de liberdade de tradições que não necessariamente compreendem as necessidades humanas.

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