[Crítica] Doidas e Santas

Com direção e roteiro de Paulo Thiago, o filme conta a história de Beatriz Lira (Maria Paula), uma psicanalista de sucesso, terapeuta de casais, com vários livros publicados sobre o assunto, vê-se às voltas com uma crise no relacionamento com seu marido, Orlando (Marcelo Faria). Exemplo típico de “casa de ferreiro, espeto de pau”. Ela, que passa os dias no consultório, atendendo e ajudando casais, enfrenta essa crise conjugal que a faz repensar os rumos de sua vida. Além da crise conjugal, tem de lidar com a filha adolescente, Marina (Luana Maia), a mãe que passa a morar com ela, Elda (Nicette Bruno), a irmã ausente, Berenice (Georgiana Góes).

O livro em que se baseia o roteiro – best-seller homônimo de Martha Medeiros – é uma coletânea de 100 crônicas publicadas em jornais, sites e livros. As crônicas abordam os mais variados assuntos – problemas da vida moderna, o trânsito, os relacionamentos, os perrengues cotidianos – tudo mixado às loucuras do universo feminino.

Não é simples adaptar uma coletânea de crônicas, deixando a narrativa coesa. O roteiro tenta concatenar todas essas historietas, fundindo personagens, a fim de criar uma linha narrativa unificada. Mas não é totalmente bem-sucedido. Na maior parte do tempo, o filme parece ser uma sucessão de esquetes encenados pelo mesmo conjunto de personagens. Em vários trechos, essa amarração consegue ser fluida, sem dar a impressão de que os causos “pertecem” a outras pessoas. Porém, em outros, a narrativa mais parece uma colcha de retalhos mal costurada.

Algo bem evidente é o humor que permeia as cenas, algo herdado das crônicas da autora. O lado ridículo das situações, a preocupação excessiva, o “mimimi” desnecessário, tudo isso é explorado. Como uma das personagens afirma em certo momento, é necessário rir de si mesmo para deixar a vida mais leve.

Este é o primeiro filme de Maria Paula como protagonista. Percebe-se a falta de naturalidade em várias cenas. A presença de cena de Nicette Bruno faz com que ela pareça ainda menos à vontade. Até mesmo nas cenas com Luana Maia, a adolescente consegue ser muito mais convincente no seu papel. Mas não é algo que prejudique demais o filme.

O filme claramente não se pretende como um libelo feminista, mas consegue ser um retrato interessante das várias facetas do universo feminino. Por não se levar a sério demais, atinge o objetivo de entreter e fazer rir sem apelar para a comédia escrachada.

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