[Crítica] Doutor Estranho

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A popularidade da Marvel nos cinemas é tanto que as abordagens dos heróis dentro do MCU  não necessariamente passam pelos personagens mais populares. Ao mesmo tempo em que o Hulk parece não ter perspectivas de mais uma aventura solo, Guardiões das Galáxias foi um sucesso e terá uma continuação em breve. O Doutor Estranho que em breve estreará é um caso curioso, por morar em dois limbos, sendo o primeiro entre a grande importância que o personagem no background da editora ao passo que não é tão popular quanto Thor, Capitão América e companhia, e o segundo por estar este presente na face mágica dessa nova versão em audiovisual da Casa das Ideias.

O longa começa com um epílogo mostrando um pouco do novo cenário a ser explorado estabelecendo a rivalidade entre a figura a Anciã vivida por Tilda Swinton ( papel que originalmente era de um sujeito oriental envelhecido) e um mago das trevas Kaecillius (Mads Mikkelsen), que lidera por sua vez um grupo de magos transgressores. Logo as tramas se cruzam, com um Benedict Cumberbatch que vive um exímio neuro cirurgião, falastrão, egocêntrico, vaidoso e egoísta. Ciente dos seus dotes, o comportamento dele é por vezes é mais arrogante do que brilhante, fator que faz afastar seu par, a bela doutora Christine Palmer (Rachel McAdams), até que algo terrível acontece.

O acidente que faz o personagem perder seu ofício o obriga a tentar se reinventar e essa virada poderia ter tornado o filme em algo épico por completo, mas isso não chega a alcançar um êxito indiscutível. Stephen Strange passa por muitos problemas, perde sua fortuna, seu respeito próprio e passa a acreditar até em possibilidades não pragmáticas, mas essa jornada de redução de expectativas e reconstrução de caráter não faz dele o candidato ideal para uma missão tão grandiosa, ao menos não de maneira tão categórica como mostra o argumento.

Scott Derrickson pega emprestado alguns efeitos especiais de A Origem de Christopher Nolan, em especial no início e na demonstração de poder da Anciã. Isso deixa de ser um problema no decorrer do filme. Alguns visuais de personagens soam meio bobos, variando entre uma versão mais cara e melhor colocada de Mortal Kombat, além de tentar capturar também os aficionados por Assassins Creed, utilizando algumas vezes o figurino de capuzes e lutas rápidas, usando e abusando da técnica parkour.

A salvação do longa-metragem certamente é a presença de espírito de seu personagem principal. A personalidade de Strange nos quadrinhos se assemelha demais ao que Robert Downey Junior fez em Homem de Ferro, e Cumberbatch consegue equilibrar algumas dessas características canônicas com novas, tendo um senso de humor fino e direto. O deslumbre visual faz o filme crescer muito em conceito. Há muitos problemas de incongruência, desde elementos Deus Ex Machina até coincidências que poderiam facilmente ser podadas, mas nada que avilte tanto quanto havia ocorrido na filmografia recente de Derrickson. Doutor Estranho consegue usar muito da fórmula da Marvel Studios, sendo ainda um filme de origem competente, carismático e memorável ao ponto de fazer seu espectador achar divertido mas não indispensável.