[Crítica] Duro de Matar

duro de matar - poster

Yippie Ki-Yay. O ano é 88 e o cinema de ação brucutu, com seus heróis de grandes feitos quase imortais, era um sucesso de bilheteria que duraria até meados da década seguinte. Dentro do panteão de personagens cheios de músculos que atiram primeiro e perguntam depois, Duro de Matar introduziria um inovador elemento primordial que hoje se tornou comum nas produções do estilo. No elemento humano chamado John McClaine, Bruce Willis e o diretor John McTiernan criavam um clássico do cinema de ação e, sem nenhuma dúvida, um dos melhores filmes natalinos de todos os tempos.

A premissa de Duro de Matar não poderia ser mais simples. Apoiada em uma época em que não eram necessárias personagens profundas e reviravoltas para se fazer um bom roteiro, o policial de Los Angeles John McClaine visita a família no Natal e tem o azar de estar na empresa da mulher no momento em que um atentado está em andamento. A trama se passa em um ambiente isolado, um grande prédio comercial de que conhecemos poucos andares. Com quase nenhum armamento, sem ideia do que realmente acontece e sem sapatos, a personagem faz o que pode para defender sua esposa.

O roteiro introduz um estilo novo de personagem durão indo além do perfil físico. McClaine é irônico, mal-humorado e, acima de tudo, humano. Não possui força descomunal e inteligência acima da média. É um homem defendendo a família, tentando cumprir seu dever, com um certo senso de treinamento e que sangra demasiadamente. O elemento humano acaba se perdendo nas sequências, mas aqui é uma das qualidades mais significativas que o perpetuaram como um dos melhores filmes do gênero.

A personagem composta por Willis é carismática e desde este filme primordial identifica um de seus famosos tiques faciais de projetar a boca, parecendo que em algumas cenas o ator faz um pequeno biquinho. Independente do cacoete, foi aqui que sua fama se fez como um querido herói de ação que até hoje mantém sua carreira funcional interpretando o mesmo tipo de personagem, quando não o próprio McClaine.

Os elementos inovadores do filme foram responsáveis por um novo protocolo no estilo de ação que, à procura de heróis mais humanos, causou um declínio dos grandes na década de noventa e que, no início da década passada, fez com que personagens não necessariamente dotados de qualidades físicas visíveis se tornassem a estrela principal do gênero.

Se ainda atualmente temos personagens de ação resmungonas que alcançam seu objetivo de maneira dolorida e mais humana, devemos estes fatores a John McClaine. O homem errado na hora errada.