[Crítica] É Fada!

O crescimento da popularidade dos youtubers causou no ideário brasileiro uma necessidade de exploração destes personagens, fazendo-os migrarem para outras plataformas. Esse é o caso de É Fada!, último filme de Cris D’amato, diretora já veterana em comédias com protagonistas femininas, como Linda de Morrer e S.O.S. Mulheres ao Mar. Dessa vez, a trama acompanha a atriz Kéfera Buchman, que interpreta a fada recém-desempregada Geraldine, que perde seu último trabalho após a perda do Brasil na Copa de 2014.

Júlia (Klara Castanho) é uma menina cujos pais são divorciados e de classes sociais completamente diferentes. A menina é transferida de escola e entra em choque com a classe média alta adolescente do Rio de Janeiro. Ao ter um encontro com sua nova fada madrinha ela começa a agir de maneira fútil e interesseira. É curioso como o foco dramático é no glamour dos ricos. As intenções do longa se confundem, porquê essa glamourização esbarra na trilha sonora bastante popular, composta por músicas famosas de Anitta, Ludmila e demais estrelas do funk, que destoam de todo arquétipo pseudo-burguês que o filme tenta propagar.

Os poderes de Geraldine ocorrem de acordo com sua vontade, e suas atitudes são egoístas e vazias, semelhantes demais as atitudes de Alice (Mariana Santos), sua mãe que insiste em tentar sofisticar a herdeira, basicamente para afastá-la do estereótipo do pai da menina, Vicente (Silvio Guindane), um sujeito de rotina simples e batalhadora, diferente do que Alice julga ser o ideal para Júlia.

Após algumas viradas de roteiro bastante forçadas, a menina dá volta por cima e consegue atingir seus objetivos, abusando de uma fórmula típica das comédias da Sessão da Tarde, com a diferença de que não há qualquer carisma neste exemplar, ao invés disso, há um uso exagerado de efeitos visuais mal utilizados e um montante de piadas fracas, que provavelmente, só funcionariam com os fãs da youtuber.

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