Crítica | Entre-Laços

De Naoko Ogigami, Entre- Laços conta história de Tomo (Rinka Kakihara), uma garota de 11 anos que mora com sua mãe Hiromi (Mimura). A mãe da garota a abandona sozinha e ela fica sozinho no lugar que chamava de lar. O início do longa mostra momentos de silêncio, que visam estabelecer a sensação de vazio existencial da vida da garotinha.

Para não permanecer abandonada e sozinha, seu tio Makio (Kenta Kiritani), que por sua vez, mora com (Toma Ikuta) convida a pequena para ficar com eles. A partir daqui começa uma abordagem lenta sobre a aproximação dessa nova configuração familiar, e a forma como Ogigami estabelece esses novos laços de maneira muito singela e até poética.

Os novos enlaces afetivos são estabelecidos de maneira bem natural e condizente com a realidade. Quando se conta uma historia de reconfiguração familiar, ainda mais quando se envolve crianças órfãs como é aqui a tendência é que esses dramas soem artificiais, e Entre Laços não cai nessa armadilha, pelo contrário. Suas duas horas e sete minutos de duração são muito bem utilizadas, e a pequena Rinka Kakihara consegue desempenhar muito bem sua dramaticidade, especialmente quando está em tela com Toma Ikuta, a química entre as duas beira a perfeição, elas realmente parecem ter uma afinidade familiar natural, tendo até o gestual bem parecido, certamente isso sendo fruto da admiração da pequena sobre a mulher adulta, que emula seus movimentos por considerar ela um exemplo de vida para si.

O desfecho do filme põe em cheque a nova família de Tomo e a faz ser obrigada a aceitar uma nova situação, que a coloca junto com a pessoa que a rejeitou, e por mais nova que seja a protagonista do filme, ela tem total ciência de que está sendo obrigada a ficar com quem antes não a quis. O final foge de qualquer docilidade ou saída fácil, é pesado apesar de não o ser aparentemente, e contem sentimentos graves dentro dos personagens e tal complexidade é muito bem pontuada por seu elenco, afiadíssimo cada um em seu papel.

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