Crítica | Escape Room

Depois de Jogos Mortais esgotar a premissa de mutilar e matar pessoas através de armadilhas e engenhocas idealizadas por um lunático, parecia que o cinema ia dar uma descansada dessa fórmula. Parecia. Em 2017, Jigsaw voltou a nos assombrar com suas tramoias absurdas no reboot da franquia e um tempo depois começou o hype em torno desse Escape Room. Os trailers lançados eram bem interessantes e a trama era promissora. Uma pena que não fez jus ao que prometia.

Na trama, seis pessoas são convocadas através de um complexo quebra-cabeça a participarem de uma sala de fuga (escape room). De acordo com o convite, caso eles saiam da mais “imersiva e inovadora” experiência do setor, receberão um prêmio de 10 mil dólares. Parece simples, mas não é.

Lendo dessa forma, a premissa é bem interessante. Fica mais legal quando você vê aquelas pessoas totalmente diferentes entre si tendo que cooperar para um objetivo comum. Com esse clima, o espectador é tragado pra dentro do filme e passa a procurar por pistas e sinais em qualquer parte do cenário. A cada sala nova eu me vi fazendo o mesmo que os protagonistas, observando tudo o tempo todo e ainda prestando atenção no filme. Dessa forma, o filme não fica só no suspense, mas vai se enveredando por um caminho mais aventureiro e intelectual ao invés de partir pra nojeira sádica de Jigsaw e sua saga. É o grande acerto do roteiro de Bragi F. Schut dirigido por Adam Robitel. O problema é que os erros também são grandes e comprometem demais a experiência.

A contextualização dos personagens se dá através de algumas lembranças rápidas durante a trama. O que dificulta a experiência são nos momentos que ocorrem situações extremamente convenientes. Pra piorar, cada armadilha tem uma relação pessoal com o passado de cada um dos protagonistas, provocando uma sensação absurda de inverossimilhança. É algo exagerado e desnecessário. Pra piorar ainda mais, o filme conta com um antagonista que parece ter saído de um filme antigo do 007, faltando apenas que ele se vire, em uma poltrona e segurando um gato, já que o restante ele segue à risca nessa cartilha. Parece que os roteiristas e o diretor não confiam na inteligência do espectador e se sentiram no direito de contar tudo novamente de forma reduzida.

Em resumo, quando acerta, Escape Room é um suspense bem angustiante e divertido. Quando erra, a película faz de uma maneira que chega a eclipsar o seus acertos, fazendo com que a experiência tenha um sabor agridoce por todo potencial que havia ali.

Facebook – Página e Grupo | TwitterInstagram | Spotify.