Crítica | Escobar: A Traição

Recentemente a figura do traficante Pablo Escobar se tornou, novamente, popular, principalmente depois da serie da Netflix, Narcos. Escobar: A Traição é a versão de Fernando León de Aranoa, diretor de Um Dia Perfeito sobre a relação entre Virginia Vallejo e o traficante, utilizando o casal Penélope Cruz e Javier Bardem nos papéis principais. A relação entre eles é entrecortada, ora pela postura do presidente dos EUA, Ronald Reagan, ao aproximar-se da Colômbia na tentativa de julgar Pablo em solo estadunidense, ora pelo esforço do colombiano em se tornar deputado federal e ter imunidades provenientes desse posto.

O nome original, Loving Pablo, é justificado pelo fato do foco narrativo se dar no casal. No decorrer do longa, as tramas políticas ganham maior atenção, assim como as tratativas das autoridades e redes de inteligência dos Estados Unidos, ainda que claramente esse núcleo seja infinitamente menos interessante que o de Escobar em Medellin.

Aranoa consegue registrar a violência da história de uma maneira estilizada e parecida com as de videoclipes musicais. Isso por si só já diferencia demais o filme da série Narcos, ainda que existam semelhanças narrativas, como era de se esperar ao retratar uma história real. Além disso, o diretor mostra preocupação por demonstrar uma precisão histórica, apesar de obviamente fantasiar em alguns pontos. Os exageros que Escobar realizou, como os assassinatos extravagantes aos seus adversários são muito bem pontuados, em alguns momentos com um certo excesso por parte de Bardem. Cruz também exagera, em certos momentos atua de modo bastante histriônico e histérico, remetendo algumas novelas mexicanas.

Bardem faz um Escobar com uma veia de humor muito forte, apesar de obviamente ele não ser um sujeito engraçado. A forma como ele propõe toda a violência que se estabelecerá na Colômbia dos anos oitenta e noventa é dita de uma forma tão característica que faz o público rir de nervoso, como mecanismo de defesa. Ele não imita outras performances, mas bebe de algumas outras versões do sujeito que causou comoção no povo colombiano.

O aspecto de thriller em alguns momentos se perde por conta das decisões criativas de rumar na direção de um melodrama com tons novelescos. Não há equilíbrio entre as duas formas de contar a história e nos momentos em que o roteiro recai sobre o segundo aspecto, se perde a força dos estranhos eventos que cercam a jornada de Escobar.

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