Crítica | Espera

Com direção de Cao Guimarão, o longa-metragem Espera começa mostrando um ensaio de música grandioso, de uma orquestra, para logo depois filmar a plateia, dispersa, mexendo em seus celulares praticamente não havendo ali qualquer conversa que não seja on line e isso só para  quando a luz apaga e os músicos começam a tocar. A narração é estabelecida já nesse começo e serve como um guia do espectador diante da abordagem escolhida por Guimarães.

Logo é mostrado Gael Benítez , um jovem menino trans, que diz estar em transição para assumir sua identidade de gênero e sua simpatia faz com que seja fácil ter empatia pelo seu caso. Fora isso, o filme analisa um porteiro, que fica na guarita do prédio, não tem muita ocupação a não ser esperar atender alguém que entre, vigiar ou ser chamado por alguém, logo depois alguém preparando algo com uma seringa para injetar hormônios e acelerar o processo de transição, ainda se mostram pessoas nas filas para receber mantimentos básicos, também espera de um fotógrafo pela revelação de suas fotos, tudo no filme evoca o seu título, e o caráter de aguardar algo toma toda sorte de urgência aqui.

A narração contínua atrapalha alguns dos momentos, especialmente os que tem a intenção de soarem oníricos, pois os deslumbramento que algumas das imagens poderiam provocar ou são abreviadas ou simplesmente não ocorrem graças a essa interferência. Em alguns pontos ela soa bastante incômoda, impedindo que o espectador chegue as próprias conclusões.

O fato de ser um filme quase imóvel torna a apreciação de Espera um pouco enfadonha. O resultado final é de um produto morno, que mira uma abordagem tocante e hermética e que nem sempre acerta em sua abordagem lírica, se tornando um pouco genérica na maior parte de sua duração.

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