[Crítica] Essential Killing

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Essential Killing é um daqueles filmes cujo título traduzido não consegue passar toda a complexidade de seu título original. Não por culpa da tradução, mas sim do idioma. Recheado de simbolismos e praticamente sem diálogos, cabe ao espectador tentar traduzir e compreender tudo o que se passa na tela.

Vincent Gallo interpreta (e muito bem) um terrorista afegão que após matar três americanos em seu país natal, é preso, torturado e transportado de prisão em prisão, até que, após um acidente, consegue fugir. E é aí que seu martírio pela sobrevivência realmente começa.

Contrastando com a violência desproposital dos métodos da “guerra ao terror” dos EUA, o fugitivo Mohammed tenta fugir no meio da neve (que parece ser ao norte da Europa, já que não é dito em momento algum) e em meio a essa fuga, passará por diversas privações e desafios, tendo que matar homens e animais, de qualquer meio possível, para conseguir escapar.

Porém, como diz o título, suas mortes são “essenciais” a sua sobrevivência, desprovidas de violência por violência ou de um sadismo, mas cheias de medo, desespero e tristeza por estar fazendo aquilo, já que a todo momento ele tem flashes de memória de sua vida em seu país, ou como ele queria estar longe daquilo tudo. Somos também contrastados com a violência profissional do exército americano, pois todos estão ali, “cumprindo o dever”, e um deles é morto enquanto recebe a notícia de que teve gêmeos, o que nos faz pensar em como pessoas comuns, país de família, conseguem separar a crueldade do seu dia-a-dia no trabalho da vida particular. O impacto da violência desenfreada no mundo atinge todos os níveis de pessoas, em todos os países.

Conforme o personagem se adapta a cada situação, vemos também suas roupas mudando, como se a cada nova peça de roupa, de cor diferente, um pouco do antigo ser deixa de existir, e um novo toma lugar, sem deixar opção ao dono.

Com uma duração curta, de 1h24, Essential Killing nos mostra de forma simples e direta a diferença básica entre os tipos diferentes de natureza, e dentro da natureza humana, e como nos relacionamos entre si e com ela, nas diferentes situações, onde o próprio protagonista vira, no final, parte da “matança necessária” (ou seria nesse caso desnecessária?) no ciclo da vida.

Texto de autoria de Fábio Z. Candioto.