Crítica | Eu, Tonya

O começo da cinebiografia comandada por Craig Gillespie se dá com pequenas entrevistas, gravadas em câmeras de videocassete antigas, remetendo a um amadorismo da gravação. Dentre essas entrevistas, há também a da própria Tonya Harding (Margot Robbie), fazendo um papel diferente, da princesa da patinação do gelo que ficou famosa entre outros fatores pelas controvérsias em que se meteu durante sua tentativa de brilhar.

Os primeiros momentos mostram sua infância e começo de treinamento, seguido por uma vida adulta conturbada, e de pouca ou nenhuma feminilidade. Segundo ela própria, Tonya era uma mulher com pouca delicadeza. Em comum, entre os dois momentos distintos da vida, há a alegação de que ela sofria violência de sua mãe, LaVona Golden (Allison Janney), quando pequena e depois de Jeff Gillooly (Sebastian Stan), seu antigo companheiro. Ambas pessoas negam que isso ocorria, e por mais que a câmera mostre os fatos ocorridos, há uma forte carga de quebra da quarta parede.

O filme se alicerça no desempenho de Robbie, que é uma atriz mais conhecida por seus dotes físicos e por sua beleza indiscutível do que por sua qualidade dramatúrgica. A oportunidade que lhe é dada é muito bem aproveitada, mas o formato metalinguístico que o roteiro de Steven Rogers prega para o filme faz cansar o espectador, soando repetitivo.

As cenas que mostram a ruptura do que era considerado correto, com o cumprimento de um ataque à sua rival, Nancy Kerrigan (Caitlin Carver), planejado por  Jeff, soa muito mal executado. A partir daí o caráter de comédia de erros se intensifica e o longa tenta emular características dos filmes dos Irmãos Coen, em especial Fargo e Queime Depois de Ler, ainda que o texto aqui não seja tão inteligente e mordaz.

Ao menos, o final é condizente com toda a trajetória tragicômica da personagem, que tenta se reinventar em outro esporte, basicamente por uma característica boba de sua própria persona. Por mais patética que seja todo o relato, acaba por ser realista, dentro da jornada mostrada em tela, que representa apenas um verdade parcial, da parte da mulher que teve sua carreira esportiva interrompida por um fato extra-desporto e que brinca com a questão super otimista do american way of life, mostrando-o de uma forma agridoce e forte. Ainda assim, tendo esse senso crítico no final, faz diferenciar Eu, Tonya de uma série de outras cinebiografias recentes.

Acompanhe-nos pelo Twitter e Instagram, curta a fanpage Vortex Cultural no Facebook, e participe das discussões no nosso grupo no Facebook.