Cinema

[Crítica] Exorcistas do Vaticano

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Exorcistas do Vaticano 1

Baseada em supostos relatos reais, Exorcistas do Vaticano é a nova aventura de Mark Neveldine no cinema, agora trabalhando com o gênero de terror, após flertar com o estilo tanto em Motoqueiro Fantasma: Espírito da Vingança como também em Gamer. A premissa do filme faz o público acreditar que verá mais um longa executado em found footage, como dita a moda nos filmes mais baratos, a exemplo da franquia Atividade Paranormal, Fenômenos Paranormais e o péssimo Herdeiro do Diabo. No entanto, já no início prova usar o estilo parcialmente, e não como uma muleta narrativa.

O plot do filme é obviamente focado nos rituais de expulsão demoníaca, e alia-se a um argumento que envolve a perseguição à figura do anti-cristo, abordando o tema de uma maneira nada sutil. O começo mostra Angela (Olivia Dudley), uma jovem que é atormentada por uma figura espiritual, variando entre cenas do ritual para sua expulsão e gravações esquisitas, que anunciam a vinda da chamada Besta, profetizada no livro Apocalipse, de São João.

O roteiro de Christopher Borelli e Michael C. Martin, baseado no argumento de Borelli e Chris Morgan, utiliza-se de um flashback e se bifurca em alguns núcleos, um formado pela família de Angela, chefiada por seu pai, o militar católico Roger Holmes (Dougray Scott), além de mostrar um nicho católico tomado por padres que fazem às vezes de super-heróis. Não à toa, é formado pelo trio de atores mais famosos, a começar pelo latino de passado nebuloso Padre Lozano (Michael Peña), Vicario Imani (Djimon Hounson) e o supersticioso Cardeal Brunn (Peter Andersson). Apesar de não estar reunido desde o começo, o triunvirato teria uma missão importante, a supervisão do caso da moça, que tinha em seu sangue uma suposta maldição.

Exorcistas do Vaticano 3

Os equívocos do filme são tão prolíficos que se tornam quase incontáveis. O proceder dos padres é tão repleto de estilo e over action que o espectador se pergunta se não estariam eles em um filme de comédia ao invés de horror. As mudanças em formato de filmagem também incomodam, mas não tanto quanto os diálogos vazios e a quantidade absurda de subversões, tanto no processo religioso do exorcismo, em nada semelhante nem com a Bíblia Sagrada, quanto na quantidade de pseudo-sustos e demais clichês dos filmes semelhantes. Isso, claro, sem reprisar qualquer brilhantismo de O Exorcista, lançando-se sobre os demais filmes proféticos a respeito do fim do mundo sob a ótica cristã.

A utilização da figura do corvo para representar a ação do Diabo não é novidade, mas a tentativa de Neveldine em referenciar os clássicos Os Pássaros e A Profecia soam ofensivos para os aficionados de ambas as obras. Com cenas risíveis e repletas dos bordões mais vergonhosos, Exorcistas do Vaticano parte de um terror mainstream que causa risos nos simpatizantes do gênero, com ocorrências repetitivas ou nonsenses, repletas de signos visuais e métodos imbecis de exorcismo. Não há nada que se assemelhe a um argumento sacrossanto, e isso inclui a caracterização de um cardeal que deveria ser um mentor, mas que transborda insegurança.

O resultado final decepciona em praticamente todos os aspectos, mesmo as expectativas de um filme trash. O texto subverte os bons filmes de exorcismo e de apocalipse, tratando, do modo mais ignorante possível, a lenda evangélica sobre o fim dos tempos. O filme possui uma abordagem nada inspirada que consegue ofender os cânones de Bebê de Rosemary, elevando às alturas outros produtos recentes, como O Último Exorcismo, que, com muito menos orçamento, consegue assustar e entreter muito mais que este, que só causa risos de constrangimento em quem o acompanha até o final.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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