[Crítica] Falcão: O Campeão dos Campeões

Falcão - O Campeão dos Campeões

Esse é possivelmente um dos filmes estrelados por Sylvester Stallone mais adorado pelo povo do nosso Brasil varonil. Só não é justo dizer que isso acontece devido às suas incontáveis reprises na Sessão da Tarde. Neste filme, Sly coloca todo o seu carisma à prova e sustenta sozinho toda a trama, o que não é uma tarefa das mais fáceis. Infelizmente, o público não comprou muito a ideia, e Falcão foi um grande fracasso de bilheteria, o que não quer dizer que seja um filme ruim

Na trama, Stallone interpreta Lincoln Falcão (tradução literal do nome Lincoln Hawk, feita pela distribuidora brasileira da película), um solitário caminhoneiro que tenta se reconectar com o filho após um longo período ausente. Ele então vai até o encontro do garoto em uma academia militar para que juntos partam em uma jornada através do Estados Unidos para se conhecerem e cujo destino final é o campeonato mundial de luta-de-braço (ou queda-de-braço, braço-de-ferro…). Porém, enfrentarão alguns problemas no percurso, como a grave diferença de personalidades e gostos que possuem e o avô do garoto que o quer de volta de qualquer forma.

Escrito por Stirling Silliphant e pelo próprio Stallone, o roteiro do filme é um baita amontoado de clichês, sejam eles os de superação ou relacionados ao drama familiar que sustenta a subtrama do filme. Porém, enquanto a jornada de superação e glória consegue ser bem tratada, o subplot que envolve a ex-mulher e mãe do filho de Stallone chega a se assemelhar a um dramalhão mexicano. A segunda subtrama, envolvendo todas as armações do avô do garoto para reavê-lo, consegue ser um pouco menos piegas. Já a jornada do herói Falcão é edificante e bem redonda. Ainda que possa parecer estranho, ele não chega a ser aquele herói unidimensional que permeou a carreira de Stallone. Falcão é aquele cara “gente como a gente”, que trabalha pra caramba pra se sustentar e ainda tem que se virar pra garantir uns trocos a mais. Existem alguns outros rombos de roteiro na parte final do filme, mas que não cabe ficar citando aqui. Ficam bem óbvios e não precisa nem de muita atenção para percebê-los.

A direção de Menahem Golan, responsável por Comando Delta (estrelado por Chuck Norris), é bastante limitada. Porém, ela se sobressai no terço final do filme, quando ocorre o torneio de luta-de-braço. O diretor transforma a disputa em um grande evento com momentos empolgantes. É interessante a maneira com a qual o diretor apresenta os competidores, colocando-os como se estivessem participando de uma entrevista que posteriormente fará parte de um documentário. É uma excelente sacada. A trilha sonora incidental composta por Giorgio Moroder ajuda a tornar tudo ainda mais empolgante.

Sylvester Stallone abusa de seu carisma para dar vida ao caminhoneiro Falcão, muito por ter ciência de suas limitações dramáticas. O ator compensa esse entrave com muita entrega ao papel e muita energia na atuação. Já David Mendenhall, que interpreta seu filho Mike, é mais canastrão do que Sly jamais foi em toda a sua carreira. A interpretação ruim do garoto torna-o irritante ao extremo, causando o desejo de que Falcão o jogue do caminhão em movimento. Já o veterano Robert Loggia está competente como sempre no papel do vilanesco ex-sogro do protagonista.

Mesmo que seja um filme um pouco piegas, datado e reprisado ao extremo, Falcão: O Campeão dos Campeões ainda provoca aquela vontade de assisti-lo quando é exibido em alguma reprise. Vocês podem não admitir, mas ainda torcem pelo Falcão, mesmo sabendo de cor o que vai acontecer.

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