Crítica | Favela Gay

Favela Gay é um documentário bem pessoal, lançado em 2013, dirigido por Rodrigo Felha, um dos jovens que conduziu parte do conjunto de curtas mashup 5 Vezes Favelas, Agora Por Nós Mesmos. Seu filme é emotivo, mostra um Brasil diferente dos cartões postais, registra cenas das vielas cariocas, nas favelas e comunidades do Rio de Janeiro, lugares normalmente encarados como reacionários, mas que aqui tem essa pecha desconstruída. O estudo passa por Rio das Pedras, Vidigal, Cidade de Deus, Favela da Maré, Andaraí, Complexo do Alemão e outras favelas.

Os entrevistados e entrevistadas são diversos, mostram uma diversidade de orientação sexual e identidade de gênero, e no início dele se monta um quadro bem otimista, em que as pessoas que falam mostram uma historia inspiradora, que obviamente passam por algumas brigas e rejeições familiares, mas que também passa por aceitação e evolução de pensamento. As famílias evoluem também, em certo ponto não falam com os biografados que assumem sua postura de homossexual assumido, para algum tempo depois passar a olhar até as travestis como mulheres.

Felha tem um cuidado e um carinho enorme sobre seu próprio filme, e isso se reflete na diferenciação entre os seus entrevistados, pessoas bem diversas, de interesses diferentes e comportamentos também. A realidade dura que a maioria deles vive além de ser muito bem explicitada, detalhada  de maneira muito real sobre os revides, sobre como responder a ofensas e agressões sejam elas verbais ou físicas, e obviamente, passam pelo Carnaval, tanto o de rua quanto o de escolas de samba.

O fato dele ser positivo e apresentar uma historia alternativa, que foge dos clichês de tristezas normalmente ligados a parcela LGBT da população é super positivo, e é de suma importância que se faça esse esforço, para desconstruir a ideia que a cultura pop – em especial o cinema hollywoodiano – produziu associando a rotina gay a depressão, uso de drogas e libertinagem pura e simples. A vida de qualquer pessoa não é feito só de agruras e rancores, tampouco de alegrias e fofuras somente , e quem evolui, normalmente,  consegue lidar até com expectativas  negativas e com traumas do passado, chegando ao ponto até de fazer piada com esse tipo de lembranças.

Favela Gay tem um papel fundamental na demonstração do quão comum e ordeira pode ser a vida de homossexuais, transexuais, crossdresser, gays e lésbicas em um ambiente menos abastado, além de se prestar a mostrar para absolutamente todos os públicos a normalidade e alegria que existe no cotidiano de cada uma dessas pessoas. Seu lançamento em 2013 o propiciou a ser bastante discutido e difundido, e jamais seu mote esteve tão atual quanto em 2019, em épocas onde temáticas e assuntos LGBT são censurados só por existirem nas filas para arrecadação de verba de patrocínio via editais públicos, pois deixa clara o quão frágeis, humanizados e comuns, tal qual qualquer pessoa seja qual for sua identidade de gênero ou orientação sexual, contrariando a ideia esdruxula de ideologia de gênero.

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