Crítica | Festa Assassina

Longa de estreia de Jeremy Saulnier, Festa Assassina inicia com uma estranha música instrumental de fundo, nas imagens aparecem preparativos para as festas de Halloween, com enfeites pela cidade, gente preparando guloseimas e pessoas alugando VHS de terror.

Chistopher S. Hawley (Chris Sharp) é um homem solitário, que depois de passar na locadora para pegar algumas fitas, acaba encontrando um convite para uma festa, de mesmo nome que o filme, e apesar da curiosidade ele segue até em casa, onde percebe que a abóbora que ficava na sua porta foi pisoteada. Isso poderia ser um sinal de mal agouro, mas em se tratando de um sujeito com baixa auto estima, tímido, e que não tem moral sequer com seu gato, ter um pouco de azar talvez não seja nada.

Depois de se despedir de Lancelot (o gato que mora em sua casa) e preparar uma armadura com papelão e fita, além de um doce com uvas, ele decide ir a Rua Shore. Ele é sempre preocupado e arredio, chega em um local cheio de gente estranha fantasiada, em um armazém cujo único cômodo a mostra está cheio de machados e martelos, além é claro das péssimas intenções de quem está lá dentro.

Cenários, fotografias e atuações gritam o caráter do filme e denunciam que ele é um produto barato, feito com poucos recursos, e até o roteiro mostra que não há muito construção narrativa das situações. Os maniacos que recebem Chris. Os personagens não planejam nada, e mesmo antes de começar a maltratar e torturar o sujeito, um deles consegue matar a si mesmo, e da forma mais imbecil possível.

Nenhum dos atores é famoso, mas ao que se propõe a maioria serve muito bem, que é causar asco no espectador e impedir que haja torcida para qualquer um deles, até porque são fracassados, homens e mulheres que se reúnem para filmar um assassinato e que são incapazes de falar de forma sincera um para outro sem fazer uso de drogas como o famigerado soro da verdade. A empreitada não tem sucesso, basicamente porque ninguém sabe o que faz.

Próximo dos vinte minutos finais o filme dá uma guinada rumo ao gore extremo, e os personagens passam a se canibalizar (não literalmente), há tiros, gente queimada, uso de machados, assassinos despertando entre quem menos se espera, e as lacerações e amputações são mostrados de maneira engraçada e chocante, sendo algumas dessas uma mistura de ambos aspectos.

Os efeitos práticos são de encher os olhos, Saulnier capricha demais nas ultimas mortes e apresenta um banho de sangue digno dos filmes de terror italianos exploitation, com bonecos mecatrônicos hiper realistas que funcionam a perfeição e uma maquiagem de ferimento também excelente. Apesar do roteiro repleto de clichês, o desfecho de Festa Assassina encerra o ciclo de modo semelhante ao seu início, com alguma evolução para seu personagem principal, mas ainda assim um destino trágico ao sujeito que só queria conhecer pessoas novas, encerrando seus momentos com um clima de desolação e ode a misantropia.

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