[Crítica] Festa da Salsicha

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As animações de comédia adultas tem ganho cada vez mais destaque no circuito comercial padrão, ainda que não sejam necessariamente uma tendência muito popular ainda. O mote deste Festa da Salsicha é baseado na expectativa de alimentos que vivem nas prateleiras dos supermercados, a espera de serem comprados e com expectativa de que isso ocorra logo, sem saber que seria consumidos e mutilados.

O começo do filme de Conrad Vernon e Craig Tiernan mostra algumas salsichas cantando, como em musical, com uma letra repleta de piadas sexuais e palavras torpes, afastando qualquer espectador desavisado como já havia ocorrido anteriormente com Ted de Seth MacFarlane. Na essência, a busca por esse mundo novo envolve os desejos mais íntimos e básicos humanos, como a necessidade de copular unindo a uma realidade que faz piada com a o mito da caverna de Platão. A história é contada por meio da relação entre a salsicha Frank (Seth Rogen) e o pão de Hot Dog Brenda (Kristen Wiig), que estão prestes a ser comprados e que se envolvem em um incidente com a Honey Mostarda (Danny McBride), que as alerta da gravidade ocorrida na casa dos tais clientes, desassociando a questão da utopia de que haveria um lugar magnifico e paradisíaco para os produtos do mercado.

As comparações e paralelos vistos na jornada dos dois personagens perecíveis após escaparem da bolsa plástica variam entre o ridículo e o grotesco. Compara-se os momentos de infortúnios das comidas com cenas do holocausto, de privação de sentidos e de assassinato em massa, fazendo lembrar muito os filmes catástrofes dos anos quarenta e cinquenta, além de questões de contra-cultura típicas dos humorísticos de 70 e 80.

A questão da quarta dimensão, cenário onde os humanos são capazes de ver a movimentação dos alimentos, bem como seu comportamento é apresentado via uso de entorpecentes, ratificando a ideia de transgressão de quebra de conservadorismo do roteiro de Rogen, Kyle Hunter, Ariel Shaffir, Evan Goldberg e Jonah Hill, que são conhecidos por dirigir, escrever e protagonizar histórias como Segurando As Pontes, É o Fim e Superbad, que desconstroem a ideia de retidão de caráter via normatividade.

O conjunto de piadas infames fortalece a ideia de combate mostrada ao final, como uma versão anárquica do desfecho do clássico Toy Story, ainda que tenha menos subtexto aprofundado que o desenho da Pixar e muito mais desejo de contar uma narrativa torpe e repleta de escatologias, contando com um final interessante e dedicado por completo a metalinguagem. A Festa da Salsicha é um projeto bobo, pueril e executado para a plateia que gosta dos mesmos momentos de absoluto humor juvenil descompromissado, típico das rodas de conversa masculinas após se matar aula. Está longe de ser um filme universal ou preocupado em discutir grandes temas, apesar de fazer troça de questões maiores.