Crítica | Foro Íntimo

Filme de Ricardo Mehedff, Foro Íntimo tem um começo silencioso, com um homem andando em uma repartição pública, na direção da luz que sai da porta. O sujeito é um juiz sem nome, vivido por Gustavo Werneck, e seu poder como autoridade juridica é de certa forma invertido, pois ao mesmo tempo que tem autoridade para autorizar a prisão de um cidadão comum, ele também se sente aprisionado durante seu trabalho, graças ao excesso de segurança a que ele é submetido.

Mehedff faz a escolha de fazer seu longa em preto e branco, e ao mesmo tempo em que tenta ser intimista é também violento. O tempo inteiro o protagonista pensa e sonha com sua própria morte, em alusão a uma fuga extrema da prisão em que ele vive. A curta duração do filme ajuda a fortificar essa ideia, unido é claro a abordagem mais sufocante, introspectiva e até reflexiva quanto julga o mercado de trabalho e o mundo corporativo.

O cotidiano mostrado no roteiro de Mehedff é mostrado sempre como um dia a dia armado, onde os seguranças estão munidos de fuzis,  escopetas e armas de grande porte o tempo inteiro. Há uma alusão até uma ditadura de toga, em que os juízes ao mesmo tempo que são uma autoridade indiscutível, também se tornam vítimas da segurança maximizada.

O visual escolhido para o filme é minimalista, e isso favorece demais a imposição de uma sensação incomoda, mas  o que realmente causa irritação é o fato do filme não ter um ritmo capaz de prender a atenção do espectador. Por boa parte dele soa enfadonho acompanhar este drama, e por mais que a ideia de replicar em quem assiste o estado depressivo do personagem, isso não é bem traduzido, mesmo quando se apela para sons estranhos, como de um enxame de moscas indo na direção do personagem principal.

Foro Íntimo é pretensioso, se atrapalha na tentativa de soar mais profundo do que realmente é, seu ponto não é ruim mas está longe de discutir largamente a construção da paranoia pela qual passam os personagens, e a construção do código ético desses homens também não foge da condição de arquétipos, fato que é até interessante por se tentar atingir uma universalidade, mas não exitosa, uma vez que faz a discussão parecer genérica demais.