[Crítica] Frances Ha

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Noah Baumbach é um cineasta que acumula um número grande de contribuições para realizadores reconhecidos – trabalhou no roteiro de Fantástico Sr. Raposo e A Vida Marinha com Steve Zissou, de ambos de Wes Anderson – e em seu sétimo longa-metragem como diretor, apresenta um dos filmes mais pontuais de 2013.

Frances Ha pode ser classificado como uma dramédia, pois não é tão melodramático quanto um drama puro e simples ou hilário como uma comédia pastelão – apesar  de conter muitos momentos engraçados. O gênero que mais justifica a película é o épico, porque a câmera acompanha todos os passos da personagem título. Frances é uma bailarina com uma vida absolutamente normal, longe dos holofotes, da fama ou glamour. Sua personagem passa dificuldades financeiras, sente falta da casa dos pais, sofre pra manter-se bem morando sozinha e tem dificuldades de se relacionar com os outros.

Frances é um personagem de facílima identificação, graças à atuação de Greta Gerwig – que também colaborou com o roteiro junto a Baumbach – e ao background da dançarina. As agruras pelas quais ela passa poderiam ocorrer a qualquer um, assim como quase todos os seus sonhos – não realizados – sua apatia e sua mudança de atitude no ato final. Mesmo com tudo isso, Frances não é depressiva, murmuradora, queixosa ou ranzinza. Seu ânimo é sempre alto, mesmo quando está decepcionada. Nos momentos em que está triste ela ensaia um choro, mas nunca o põe em prática.

O filme é registrado em preto e branco, e a fotografia monocromática contrasta com o ânimo e bom humor da protagonista. Em compensação, a ausência de cores combina com o seu estilo de vida, quase nunca exitoso nas realizações que propõe a si mesma e aos que a cercam.

Frances só compreendeu que precisava crescer quando se viu sozinha – e o avatar dessa solidão se deu por meio de sua melhor amiga Sophie (uma irreconhecível Mickey Sumner). Este drama em particular empresta muita verossimilhança à fita. Em um ataque de raiva, Sophie quase desata seu noivado – relacionamento que já havia causado muita discórdia entre as amigas – após um porre. Mas a atitude dela em relação a isso foi madura, e pensada de cabeça fria, de forma não-impulsiva. Frances corre para encontrar sua “contraparte”, mas percebe que ela tomou o seu rumo, independente da própria relação entre as duas, e só então a bailarina percebe que precisa mudar a si mesma e as suas ações.

As passagens de tempo são um tanto corridas e a jornada ao amadurecimento fica au passant, mas isso serve muito bem a trama, compondo um relato exposto de forma magistral e crível, pois quando uma pessoa discorre sobre a própria vida, certamente falará de forma resumida os fatos marcantes dela – mesmo os mais importantes – o roteiro presta o serviço de narração da jornada de Frances rumo ao seu aperfeiçoamento pessoal, profissional e até sentimental. Frances Ha é delicado, bonito e muitíssimo bem filmado, para dizer o mínimo e registra de forma simples uma carreira real, trôpega em alguns momentos, mas inspiradora em quase todos.