[Crítica] Galeria F

História pessoal, contada por meio de um documentário que se insere no cotidiano de seu biografado, Galeria F é o novo filme de Emília Silveira, a mesma diretora do excelente Setenta, sendo este também um novo longa sobre a resistência contra o Regime Militar. Theodomiro Romeiro dos Santos começou a se envolver com a luta política quando tinha 14 anos e foi capturado aos dezoito anos, passando boa parte de sua juventude em cárcere e tendo declarada sua sentença de morte.

O caminho percorrido pela câmera é o da fuga que ocorreu com o militante, reconstruindo cada um de seus passos até os lugares onde se hospedou quando estava foragido. Guga, seu filho, acompanha o pai e o ajuda nessa jornada de reconhecimento. O arquivo digital permite a diretora manter sua câmera ligada o tempo inteiro, fazendo finalmente seu objeto de análise sentir-se tranquilo para não mais atuar de frente das lentes.

Os relatos de Theo as vezes fazem falhar sua memória, sendo essas lacunas preenchidas por seus amigos e companheiros de lutas, que estiveram no presídio Lemos de Britto consigo, além dos partidários do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) que servem para testificar suas palavras. O outro lado do filme é focado em Guga, que é quase um co-protagonista. O herdeiro busca entender a psique do pai e a rotina que o fez chegar onde chegou e o testemunho do filho é bastante emotivo e compreensivo, mesmo quando seu pai era rígido com ele na juventude, entendendo que a adolescência de Theodoro lhe foi tirada ao ficar tanto tempo aprisionado.

Silveira faz um mergulho profundo na vida de Romeiro dos Santos, inclusive mostrando rapidamente a proximidade dele com ACM – Antônio Carlos Magalhães – ex-governador baiano por três mandatos e coronel nordestino. No entanto, a fórmula de seu filme se esgota cedo demais, tornando-se pouco dinâmico e menos inspirado que Setenta, ainda que tenha bons momentos em sua projeção.