[Crítica] A Garota Desconhecida

Obra dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, A Garota Desconhecida mergulha na intimidade de Jenny (Adelle Haenel), uma médica que tem uma rotina estressante no hospital onde trabalha. Sua vida repleta de infortúnios tem mais um revés ao descobrir que uma moça sem qualquer identificação desfaleceu próxima à porta de sua casa, e a partir daí começa uma jornada para descobrir quem era esta pessoa misteriosa.

Ao contrário do visto em Dois Dias, Uma Noite e O Garoto da Bicicleta, o método usado no filme é moroso, especialmente no que tange a parte emocional do roteiro. Há uma dificuldade considerável em sentir empatia pelos personagens, e isso inclui também a protagonista, uma mulher com dificuldades em demonstrar os sentimentos que habitam seu interior. As expressões faciais de Haenel não compensam o esforço que as cenas exigem, até mesmo quando ela tem que convencer outras pessoas.

Mesmo quando trata de temas pesados, como delinquência juvenil, suicídio e depressão há um aprofundamento bem raso, deixando que a superficialidade tome a temática, principalmente ao se levar em conta os trabalhos anteriores dos cineastas.

A Garota Desconhecida tenciona ser tocante e sentimental, mas soa tedioso e desimportante. A utilização de Haenel é sub aproveitada e não há qualquer importância nas ações dos personagens secundários. Nem mesmo a metalinguagem narrativa de associar o desaparecimento da moça com o encontro da protagonista com sua própria identidade salva o argumento da mediocridade, tornando a dinâmica do filme ainda enfadonha e decepcionante.