Crítica | Hannah

De Andrea Pallaora, Hannah é um filme que tem como protagonista uma mulher que se vê obrigada a mudar toda a sua rotina graças a ausência de seu marido. Aos poucos, a personagem de Charlotte Rampling tenta se adaptar a um mundo de solidão, onde sua rotina pára de girar em torno da mesma pessoa para então ser vivida por ela.

Há um bom número de cenas onde o silêncio prevalece como elemento maior, basicamente para explicitar que o cotidiano seria assim, moroso e com cenas apenas de chaves caindo, maçanetas sendo viradas e bicas expelindo água. Hannah tenta a todo custo viver apesar do vazio que são seus dias, e a depressão que a toma facilmente é passada para o espectador. O conjunto de sensações que a protagonista possui é facilmente compreendido por quem está assistindo seu drama, até por serem bastante tangíveis, além do excelente desempenho de Rampling. Sua expressão, seu modo de andar, tudo transborda melancolia e sensação de não-pertencimento a esse mundo onde o isolamento lhe é imposto e os acontecimentos que ocorrem com a personagem provocam reflexões em quem a acompanha.

Próximo do final, ela tenta se reabilitar para o mundo, vai a reuniões onde deveria expressar seus sentimentos, dores e sentidos, mas nada consegue prosseguir ali. A sensação de estar incompleta não é aplacada por qualquer frase feita que lhe é imposta ou por pensamento positivo raso. Hannah não é otimista, aliás, é bastante calcado na realidade de quem tem que lidar com qualquer tipo de estado depressivo.

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