[Crítica] Ídolo

IDOLO 1

Trabalho de pesquisa intensa e devoção extrema a uma das figuras mais importantes do cenário futebolístico brasileiro, Ídolo é um documentário de Ricardo Calvet, mergulhando no culto merecido ao Nilton Santos, lateral esquerdo, enciclopédia do futebol e maior herói da história do Botafogo Futebol e Regatas, ao lado de Garrincha.

A câmera acompanha um torcedor muito próximo de Nilton, que se torna o primeiro narrador do filme, essencial pela estreita relação com o ex-atleta, em especial nos seus últimos anos de vida, quando Santos estava debilitado. Através das confissões dos entrevistados, constrói-se uma panorama de sua vida, desde a infância até os primeiros passos no futebol. O passado de Nilton é intimamente ligado ao clube, tanto que, por um tempo, ainda garoto, ele vivia alojado nas dependências da instituição.

O filme expõe momentos espinhosos, através do depoimento de Célia, esposa do ex jogador, que assume sempre achou que Santos se doou muito mais ao time em comparação com os benefícios que a associação desportiva contemplou ao seu ídolo, exceto é claro, os temos de maior necessidade, com o agravamento da saúde deste. A gratidão foi sentida a partir do apoio no momento derradeiro da existência de Nilton Santos, onde as despesas médicos ficaram mais caros. Assistir ao sofrimento de uma pessoa tão iconoclástica é surpreendente, e o caráter do filme dribla a pieguice de exibir um sujeito admirável em posição de pena.

Há um equilíbrio entre momentos históricos pessoais e os feitos no desporto, desde os lamentos pela derrota em 1950 e sobre sua posição de reserva, até a descoberta de Mané Garrincha, assim que chegou do Bonsucesso para o alvinegro carioca, detalhando os conselhos que o lateral dava ao exímio driblador.

Como era esperado, o filme faz um intenso estudo sobre tática e raça esportiva, mostrando desde as frustrações de 54 em que a seleção brasileira perdeu para a Hungria de Puskas e Kocsis, bem como o surgimento da primeiro título, na Suécia, onde o time sobrou, principalmente graças ao surgimento de Pelé e Garrincha e, claro, a solidez da defesa capitaneada por Bellini e Nilton. Dedica-se um belo pedaço de filme mostrando os campeonatos estaduais, torneios que resultavam em uma rivalidade bem maior do que a vista atualmente.

Talvez falte a Ídolo, uma mão uma pouco mais ativa de seu diretor, mas a evolução de seu personagem de estudo é muito bem representada, tanto em informações como em resgate emocional, resultando em um filme tributo bonito, reunindo falas interessantes dos envolvidos com Nilton Santos e dizeres do próprio, formando um quadro nostálgico que faz ainda mais sentido para os torcedores do Botafogo e demais crentes na figura do ídolo.