Crítica | Imagem e Palavra

Jean Luc Godard sempre foi um diretor experimental, mesmo já bastante velho e veterano, e nos anos 2010 cansou seu cinema tem sido bastante não verbal. Filme Socialismo e Adeus a Linguagem comprovam muito bem isso e seu novo filme, Imagem e Palavra também tem um caráter semelhante, com pouquíssima linguagem em palavras e muita lisergia em meio as imagens que reúne e monta. As exibições do filme são feitas inclusive com poucas legendas, para que o público só note o que ele quer que note.

Dividido em capítulos, o primeiro tome se chama Remakes, e mistura sequências de filmes clássicos como Saló ou os 120 Dias de Gomorra com cenas reais do cotidiano, inclusive momentos documentais e fictícios de guerras, em especial os conflitos do Vietnã, onde brinca com as cores, as vezes retirando-as e em outras mudando a nitidez das mesmas. A ideia de discutir como o cinema de Hollywood enxerga o mundo não é nova, assim como a opinião do realizador de que boa parte desses eventos é mal retratada pelos cineastas da America, uma vez que são maniqueístas e demasiado ideológicos.

O cinema do francês sempre foi carregado de um viés politico, mas aqui se vê uma maturidade que normalmente não se vê não só em linguagem técnica, mas também politica. A ideia de enxergar as manifestações sociais como cíclicas mostra um pensador politico mais pragmático, ainda que que não se deixe de lado o viés revolucionário de Jean Luc, tão desdenhado pela cine biografia O Formidável, de Michel Hazanavicius, que mostra o cineasta na época de A Chinesa como um homem vaidoso, pretensioso e infantil. Mesmo que se leve essa questão somente como uma versão dos fatos, nota-se que a maturidade fez Godard enxergar o mundo como um lugar desolado, a espera de seu iminente fim, como fruto de um processo bem comum, uma vez que toda sorte de conflito tende a se repetir, como as temáticas do cinema.

As criticas sociais seguem firme, algumas com menos forças que outras. O diretor aponta sua caneta e roteiro para diversos segmentos, desde terroristas assumidos, até o autoritarismo dos Estados Unidos, discutindo em alguns de seus pontos a islamofobia em seus momentos de filme ensaio, mas nada muito profundo. É muito benéfico que um cineasta com tanta experiência ainda resolva fazer filmes, mesmo que o intervalo entre eles seja de 4 ou 5 anos, e obviamente que o cinema sentirá falta das ideias de Godard quando elas cessarem, mas aparentemente, Imagem e Palavra é um filme que certamente terá outro significado após um tempo, em uma revisão, na primeira apreciação, se notam muitos comentários inteligentes e mais divagações que esses, ainda que a ideia de montar filmes com imagens de terceiros seja muito bem executada pelo ícone da Novelle Vague.

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