Crítica | Inaudito

De  Gregorio Gananian, Inaudito é um longa metragem que mira ser  um filme ensaio, a respeito do lendário guitarrista Lanny Gordin, o mesmo que eletrizou Gal Costa, Caetano Veloso, Jades Macalé e companhia, e o modo com a historia é contado varia entre a narração do mesmo e imagens dos lugares que ele julga importantes para a sua carreira. Em suma, é um filme itinerante.

Já no começo, Gordin toca a música Eu Nasci na China, repetindo que o nome dela se dá por seu local de nascimento. Isso pode parecer obvio para quem o conhece e talvez desimportante para o leitor, mas fato é que Gananian bate nessa tecla o tempo inteiro, para entender Lanny é preciso saber que ele é um cosmopolita, um homem do mundo, capaz de representar esse caráter globalizado no bom sentido em seu trabalho e música.

O exercício de linguagem lembra bastante outra obra, Sutis Interferências da Paula Gaitan, que fala a respeito de Arto Lidnsay, inclusive na forma de passar as informações e sensações de seus filmes. Nesse ponto, a dificuldade de se expressar por palavras que Gordin tem serve ao filme, dando ele um tom dramático e que exige atenção, ao mesmo tempo que torna ele um pouco complicado para apreciar. Esse é um filme que não deveria passar em uma sala de cinema comum, e sim em uma experiência mais sensorial

Ao mesmo tempo em que o filme se excede por ser refém de sua formula, a representação da facilidade que o biografado tem em tocar quase qualquer instrumento e estilo é muito bem representada, assim como a sensação de que a arte em sua forma bruta não é entendido pelas pessoas normais.

Gananian conduz um que filme que filosofa muito, que é espiritualista e conversa com a memória / espírito de ícones musicais (algumas vezes até de maneira literal, como é com Jimmy Hendrix, onde Lanny demonstra sua admiração), e no sentido de falar em legado,  Inaudito acerta demais, apesar de claramente ser longo demais sua exposição e exploração, ainda assim, é uma obra forte.

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