Crítica | Inocência Roubada

Inocência Roubada é um filme francês, de Andrea Bescond e Eric Métayer, que trata da vida de Odette La Nadant, uma moça que na vida adulta é vivida pela própria diretora e na fase infantil é Cyrille Mairesse. A vida de Odette é difícil, ela é uma pessoa com dificuldades de relação, e que não é muito a vontade com seu próprio corpo, mesmo não tendo visualmente nenhuma trava ou algo que a faça parecer estranha segundo os padrões vigentes de beleza.

Os problemas psicológicos da protagonista são explorados aos poucos, ela toma aulas de dança, de balé e tem algumas complicações de aprendizado, principalmente quando se trata de dançar com um par que a toque, mas o filme é conduzido de um modo que não deixa explicitas as dificuldades da personagens, tampouco subestima o seu espectador, ao contrário.

O drama mostra Odette conseguindo se relacionar sexualmente com as pessoas, e varia entre os momentos de apogeu, nos palcos, com muita luz, música e uso contínuo de alucinógenos, e na preparação para os espetáculos, com rotinas de viagens e ensaios maçantes, e essa mudança severa de rotina obviamente afeta a mulher, que não sabe como conviver com estilos tão diferentes de vida que abarcam a prática que a faz se sentir um indíviduo, pois mesmo em meio a essa correria.

A metade final se dedica a desdobrar a montanha russa emocional que envolve o julgamento dos culpados. Tudo que não toca Odette é muito frio e específico, prima pela legalidade ou pela busca de justiça, que vez ou outra carrega emoção mas que vive predominantemente no campo da argumentação. Odette  não, seu corpo é um canal para a arte, seu extravaso envolve a dança e a música, mostrando uma clara evolução da personagem, pois o mesmo receptáculo que antes foi alvo de assédio e vilipêndio, agora é receptor de algo inspirador, bonito e comovente, a dor não é  mais predominante ali e o filme faz questão de  descartar qualquer possibilidade de afirmar que o estupro pode fortalecer a mulher, obviamente.

Inocência Roubada é um filme  emocional cujo início não é tão empolgante, mas melhora drasticamente do meio para frente, a participação de Bescond como diretora e protagonista funciona bem e só se crê no drama que se estabelece por conta da participação dela e da composição de Odette, uma vez que o filme contem somente essa nota.

Facebook – Página e Grupo | TwitterInstagram | Spotify.