Cinema

[Crítica] Invasão de Privacidade (2016)

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O tema vingança é bastante recorrente no cinema, desde os clássicos westerns de John Ford até o cinema de ação atual, além de estar nesses temas, a questão também está no novo filme do eterno James Bond Pierce Brosnan, , que vive Mike Reagan um magnata de meia idade do ramo da aviação em Invasão de Privacidade. O fato de ter alcançado o topo muito rápido o põe em uma posição de tédio tremendo, fazendo de si presa fácil para a aproximação de Ed Porter (James Frecheville), um jovem técnico de informática que trabalha para si e que o ajuda com a questão da internet mal funcionando em sua casa.

De maneira automática e nada natural, começa uma relação entre os dois com uma intimidade tão grande que o rapaz passa a ser apresentado para a família do patrão. Logo, Edward se interessa pela filha Reagan, passando então a usar seu conhecimento para atalhar a intimidade junto ao clã. Tal capacidade de infiltração geraria um fascínio passageiro no homem rico, uma vez que poder acessar dados confidenciais certamente o poria na frente de qualquer corrida comercial e de negócios.

Após algumas situações forçadas, humilhações diversas ao rapaz e uma clara incapacidade do jovem em receber qualquer negativa, começa um jogo de troca de ofensas, variando entre coisas banais e eventos mais sérios, motivados unicamente pela rejeição de um homem esnobe e que jamais pareceu se preocupar minimamente com o bem estar de Porter, além de não dar qualquer sinal de que aceitaria a entrada em sua família.

A intromissão do hacker magicamente ocorre em momentos chave da trama, com o sujeito ligando a câmera do tablet da moça no exato momento em que ela resolve tomar banho e ainda se tocar lascivamente, fato que não parece nada natural. A capacidade de flerte do menino é igualmente pífia, sobrando clichês de fala e nenhuma sutileza no modo de abordar a situação a qual se envolve.

As retaliações de Ed motivadas pela demissão e proibição de ver sua provável conquista amorosa passa a cercar quase todas as ações de Michael, aproveitando a questão de que praticamente tudo está interligado via internet e acesso remoto. As sabotagens incluem acusações de fraude da empresa Reagan, desenganos sobre doença na família e até vazamento de nudes. Não bastasse a gratuidade dos atos vilanescos, ainda há uma mensagem de lição de moral patética vindo do personagem que deveria ser o justo.

Para se livrar do incômodo, Michael apela para um extremo, passando então a caçar o rapaz, que também tem seus modos de defesa, uma vez que é frio, calculista e supostamente muito inteligente. A problemática em Invasão de Privacidade é que nenhuma das motivações fazem sentido, desde a cisma de Edward, que com todo esse potencial poderia estar lucrando muito mais com outras conravenções, bem como não há como sentir empatia pelo egoísta personagem de Brosnan, que não se importa com nada que não envolva seu conforto e dinheiro. Tampouco há como torcer por sua família, uma vez que sua esposa age de maneira genérica e ordeira e sua filha não aparenta ter qualquer apreço por si a não ser quando vê seu pai indo para a cadeia.

A frivolidade com que John Moore conduz seu filme assusta, bem como a completa falta de substância e conteúdo de discussão, mesmo com tanto potencial para discutir a dependência do homem moderno aos aparelhos eletro-eletrônicos que o cercam e infelizmente o resultado final é somente isso, uma falha e pífia tentativa de tocar em assuntos espinhosos do século XXI.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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