[Crítica] Invocação do Mal 2

Invocação do Mal 2

Referenciando o início de Invocação do Mal, o novo longa de James Wan tem em seu preâmbulo um caso secundário, possivelmente o mais famoso conto de Ed (Patrick Wilson) e Lorraine (Vera Farmiga) Warren: o caso poltergeist em Amityville. Invocação do Mal 2 é um belo retorno do diretor malaio aos filmes de horror, ainda que seu caráter seja bem diferente do competente filme inicial.

Após esse prelúdio, a trama de Wan se bifurca, mostrando Lorraine traumatizada pelo contato com um demônio que profanava um símbolo sagrado e pedindo ao seu marido para que se aposentassem, já que estava convivendo com terríveis pesadelos. Em outro momento, é mostrada a casa dos Hodgson, com a matriarca solteira Peggy Hodgson (Frances O’Connor) preocupada com os seus, em especial Janet (Madison Wolfe), que é pega repetindo o vício de sua mãe. Este seria o primeiro parâmetro de apreensão de Peggy com seus filhos, algo que é agravado por leves assombrações na casa da família ocorridas gradativamente.

Wan consegue reunir clichês diferente dos que usou anteriormente, tanto em Invocação do Mal como em Sobrenatural: Capítulo 2, conseguindo reciclar bem as coincidências dramáticas, que fazem, inclusive, aumentar a verossimilhança do filme, justificando muito bem as atitudes impensadas dos personagens.

O lar dos sustos é outro, já que Invocação do Mal 2 deixa de lado o uso dos sons tipicamente caseiros como fonte dos temores para investir em espantos visuais, se valendo muito de sombras, luzes e névoa, uma referência ao clássico de Tobe Hooper e Steven Spielberg, em Poltergeist. Além disso, rememora o clima sensacionalista do clássico de Dario ArgentoSuspiria, ainda que seja muito menos explícito do que a película italiana, fugindo do gore que habitava o cinema de terror italiano de sub gênero giallo.

Da parte do roteiro, há uma mensagem velada de discussão sobre exorcismo católico clássico, alfinetando alguns dos métodos utilizados ao longo dos anos, por parte dos agentes da igreja, e a burocracia que se manifesta dentro da trama, cegando o casal de protagonistas para a credulidade que deveriam ter no caso que investigavam. As escolhas do roteiro são acertadas, e mesmo a performance de Wilson parece mais sóbria, conseguindo extrapolar sua falta de talento dramatúrgico, principalmente quando em companhia de Farmiga. Tal harmonia de elenco e de texto é raro em qualquer cinema, sobretudo no de horror.

O fato de não superar o capítulo inicial não desmoraliza o segundo, que é mais filosófico dentro de sua proposta, conseguindo justificar o final meloso, dados o histórico e repertório dos personagens principais. Invocação do Mal 2 é um passo corajoso em mostrar uma mudança de postura do diretor, tendo êxito até mesmo em fugas de clichês automáticas de sua própria filmografia.