[Crítica] Jason Bourne

Jason Bourne - poster

Jason Bourne é o quarto filme da franquia de super espionagem desenvolvida a partir do romance de Robert Ludlum – quinto, se contar o atropelo equivocado de O Legado Bourne de Toni Gilroy, sequência sem o astro da franquia. Este novo longa metragem era repleto de expectativas, uma vez que marcava o retorno de Matt Damon ao papel título junto ao diretor Paul Greengrass e por mais que não tenha uma trama tão envolvente quanto os dois últimos episódios, ainda tem muito a dizer tanto em trama quanto em direção.

O paradeiro dos personagens antigos é desconhecido no começo. O pouco que se mostra é Bourne vivendo longe do sistema, à margem do mundo civilizado. Esse é primeiro filme sem o argumento de Gilroy, cabendo ao diretor e a Christopher Rouse (de parcerias com Greengrass em Vôo United 93, Zona Verde e Capitão Phillips) desenvolverem essa nova trama, além de atualizá-la, uma vez que não havia mais material canônico de Robert Ludlum para se basear.

A história se passa dez anos após os eventos de Ultimato Bourne e possui pouca novidade em relação a trama. O que movimenta a nova aventura do espião de passado misterioso é sua aparição pública após tanto tempo anônimo. Fato que incomoda os mandatários da CIA, especialmente Robert Dewey (Tommy Lee Jones), que tinha um contato íntimo com o pai de David Webb – nome civil de Jason – e a ambiciosa Heather Lee (Alicia Vikander), que ganha espaço com o decorrer da trama de uma forma um pouco forçada.

As ideias defendidas pelo roteiro fazem a qualidade geral do filme decair um bocado, especialmente nas questões chave da exploração do passado do herói. Já se havia estabelecido uma aceitação do próprio ethos do assassino frio e o motivo de seu auto exílio funcionava com perfeição. O ponto positivo de todo esse imbróglio é a constatação que o destino, ao menos no que tange o personagem, é inexorável, mostrando que a violência é algo íntimo e inevitável dentro de sua existência.

Se  o texto não consegue corresponder a qualidade ímpar dos filmes anteriores, o modo de captura de imagem de Greengrass segue bastante afiado e inspirado. As cenas de ação são absurdamente bem construídas e mesmo quando exageram na suspensão de descrença, especialmente nas questões pessoais e perseguições envolvendo o personagem de Vincent Cassell, funcionam muito bem, principalmente em um momento de tirar o fôlego próximo ao final.

Jason Bourne consegue reunir a maioria dos bons elementos da franquia, evocando a paranoia dos Estados Unidos pós Guerra ao Terror de maneira atual e bastante franca, a despeito até de seus próprios defeitos devido a um roteiro não tão intrincado como das produções anteriores.