Crítica | Johnny English

A paródia de filmes de super espiões Johnny English começa com um sonho de agente, vindo do auxiliar de escritório cujo nome dá titulo ao filme, e nesse ponto, ele sonha em ser o Agente Um, o mais especial e competente entre os espiões e serventes do serviço secreto britânico e da inteligência da agência fictícia do MI7.  Ainda nesse início, há uma obvia referencia ao James Bond de Sean Connery, com o personagem de Greg Wise tacando seu terno num móvel, tal qual 007 fazia no móvel que habitava a sala de Monnypenny.

O chamado a aventura no filme de Peter Howitt não demora a ocorrer, e daria tom aos outros episódios da cine serie, pois através de uma obra do acaso – e também por força do caráter estabanado do personagem, uma explosão mata todos os agentes, menos Jonny, e ele passa então a ser o mais preparado para a ação, apesar de não o ser, de fato. Completamente desajeitado, English joga seu casaco pela janela, assim que vira agente de campo, achando que só a postura é o suficiente para exercer o cargo.

O longa parte de um humor bem primário para fazer sua platéia rir, como boa parte da filmografia e obra de Rowan Atkinson. A transição de um um sujeito nada exímio para o agente competente é quase automática, English se atrapalha mas parece confiante. No entanto toda a postura de extrema confiança não é o suficiente para proteger as jóias da coroa britânica, missão que lhe foi dada e que seria até simples de resolver para um James Bond, Ethan Hunt ou Jason Bourne.

A maior parte da comédia do filme é baseada em humor físico descerebrado, e o texto é raso, quase só tendo graça quando apela para o politicamente incorreto onde se explora a xenofobia com os franceses.Ao menos o tom parodial de Mike Myers e seu Austin Powers tinha um satirismo mais engraçado. O plano de Pascal Savage (John Malkovich) é mirabolante tal qual os de Blofeld, o Homem da Pistola de Ouro ou Goldfinger, obviamente com uma carga de humor que o faz se assemelhar ao Doctor Evil, embora aqui o antagonista se leve mais a sério.

Atkinson é carismático, mas é um ator de uma nota só . Não é que ele seja refém de Mr. Bean, mas claramente seu personagem famoso na tv provém  dessa capacidade dele de ter apenas um tom de atuação e comédia. Ao menos, o desfecho desse primeiro Johnny English se mostra engraçado bem na medida que o astro precisa, com muito humor físico e piadas rasteiras, mas não tão baixas ao ponto de ofender a platéia mais recatada.

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