Cinema

Crítica | Jordan Rides The Bus

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Um dos maiores mistérios da historia do basquetebol em alto nível, foi a súbita aposentadoria de Michael Jordan, com 30 anos, no auge físico e após um tricampeonato pelo Chicago Bulls onde ele, Scottie Pippen e companhia se mostraram como o melhor time do mundo para, sem razão aparente que não uma promessa sentimental ao seu pai recém assassinado, começar a jogar Baseball. Jordan Rides The Bus dedica seus esforços a estudar um pouco o caso, excluindo de sua formula as teorias da conspiração sobre um afastamento da NBA por conta das apostas e outras questões incongruentes.

Lançado no ano de  2010, Ron Shelton, que escreveu Blue Chips e Homens Brancos Não Sabem Enterrar mostra um especial de pouco mais de cinqüenta minutos, que varia em seu inicio nas glorias recentes dos búfalos de Chicago, e o brutal assassinato de James Jordan, pai do astro. O controverso caso é analisado de maneira profunda. Donald Jacob, um pescador que trabalhava no local onde o corpo do sujeito foi achado é entrevistado e isso mostra o tamanho do compromisso de Shelton e da ESPN com os fatos e não com a especulação.

Phil Jackson é bem sincero com Michael, sobre anunciar que não gostaria mais de jogar, que não tinha cabeça para isso, e afirma que ele deixaria na mão milhões de fãs do esporte. Disso para a ida ao Birmingham Barons, time da terceira divisão nacional de Baseball, afiliado ao Chicago Sox, onde usaria a camisa 45 (viria até utilizar na NBA pós volta, mas por pouco tempo), é muito rápido.

O documentário não se debruça tanto sobre o insucesso esportivo de Jordan, até porque a questão midiática parecia ser bem maior que o que ocorria nos gramados da divisão onde ele rebatia pequenas bolas, bem como toda a questão da jogatina e problemática que ele enquanto ala do Bulls se envolvia. Esse é um dos poucos pontos em que se permite falar da questão, mesmo Jackson alude a uma vez que Michael foi para Atlantic City, durante uma viagem para enfrentar o New York Knicks e isso claro arranhou sua imagem de ícone do esporte americano, pois além de mal visto, isso também era proibido, sob duras penas jurídicas, que ele teve inclusive que arcar.

Fato é que ele também era midiático nesse esporte, pois fez o publico visitar os normalmente vazios jogos dos Birmingham Barons  na Liga do Sul. Até Spike Lee fez os costumeiros comerciais com ele, interpretando seu personagem Mars Blackman. Além disso, há momentos engraçados, como a corretora que arrumou uma casa em Birmingham para Jordan, mostrando onde ele e os Jordans ficaram, incluindo na casa, uma tabela de basquete para ele treinar seus arremessos.

O final não é tão pungente quanto o inicio, mas Jordan Rides The Bus tem muitos momentos de brilho, falando bem sobre as questões envolvendo os estranhos motivos que fizeram MJ mudar de ramo esportivo sobre quase nenhum custo econômico e midiático em sua figura de ídolo e astro do esporte e da sociedade americana e mundial.

 

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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