Crítica | Jumanji: Bem-Vindo à Selva

No ano de 1995 chegou aos cinemas um filme de aventura digno das matinês, Jumanji, de Chris Van Alsburg. Produto nostálgico de uma época em que jogos de tabuleiro estavam em baixa, o longa se iniciava nos anos setenta mostrando a infância do personagem que se tornaria Robin Williams, na fase adulta. A continuação de Jake Kasdan parte um ano depois do filme original, ou seja, 1996, mostrando o jovem Alex (Nick Jonas) encontrando o jogo, numa praia de Brantford, mas ignorando-o de imediato. O jogo se adapta e vira um cartucho de vídeo game e daí começa o novo drama.

Já na atualidade, quem da o pontapé inicial é Spencer (Alex Wolff), um estudioso e tímido aluno, que faz as lições do esportista Fridge (Ser’Darius Blain). Também são introduzidos a patricinha fútil Bethany (Mathisa Iseman), além da linda garota feia Martha (Morgan Turner). O quarteto fica de detenção , em uma reimaginação do que seria o Clube dos Cincos, e por acaso acham o antigo vídeo game de Alex. A princípio, eles não associam que o aparelho tem algo a ver com a mansão abandonada e com o perturbado Old Man Vreeke (Tim Matheson), pai do rapaz desaparecido, e a partir daí eles passam a jogar por suas vidas.

Apesar de formulaico o roteiro se sai bem em um objetivo: inversão de estereótipos. O nerd vira o exímio aventureiro Dr. Smolder Bravestone, interpretado pelo carismático Dwayne ‘The Rock’ Johnson, o atleta é o ajudante faz-tudo Moose Finbar (Kevin Hart), um sujeito sem muitas habilidades, a garota popular vira o estudioso homem de meia-idade Professor Shelly Oberon (Jack Black) e a garota impopular vira a máquina de matar que se vale da dança e de seu corpo bonito, Ruby Roundhouse, (Karen Gillen, a Nebulosa de Guardiões das Galáxias Vol. 2), em uma crítica visível ao clichê da femme fatale. Praticamente todos os personagens que aparecem a partir daí são NPCs, e tem falas e ações programadas, aos poucos eles vão descobrindo suas habilidades e fraquezas, além de ter que lidar com o número limitado de vidas, como nos games antigos.

Há apenas dois caracteres diferentes do quarteto inicial que tem alguma substância, no caso o vilão, Van Pelt (Bobby Cannavale), que personifica o mal encarnado e dominador de tudo em Jumanji, e Jefferson Seaplane McDonough, avatar de Alex, que é encontrado depois, já bastante combalido e cansado pelas rodadas anteriores. Apesar do novo filme fazer referências ao seu antecessor, este é uma expansão peculiar do material literário de Alsburg, uma vez que ele explora o mundo em torno do jogo, enquanto o outro filme trazia os eventos que Alan Parish viveu para o mundo real. Nesse sentido, o antigo desenho animado também reunia alguns desses elementos, e ver isso mostrado em tela, live action e com um bom orçamento é realmente bastante divertido.

Kasdan consegue aumentar o escopo da aventura e a escalada de suspense se torna ainda mais rica graças ao carisma distribuído entre os jogadores. Black está engraçado como há muito não estava e funciona maravilhosamente como coadjuvante, The Rock apresenta as nuances necessárias para mostrar um personagem inseguro e Gillen desconstrói o perfil de mulher sensual da cultura pop. O escapismo é ainda melhor construído por todos esses fatores citados, e ainda traz um Kevin Hart mais à vontade, diferente Um Espião e Meio, que estrelou junto a Johnson. Jumanji: Bem Vindo à Selva funciona principalmente pelos seus personagens, que ainda que não sejam profundos, são críveis e fáceis de simpatizar.

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