Crítica | Justiceiro: Zona de Guerra

Com apenas cinco anos de diferença de O Justiceiro, protagonizada por Thomas Jane, o longa Justiceiro: Zona de Guerra começa com um luxuoso jantar de mafiosos, que obviamente é invadido por Frank Castle, dessa vez interpretado por Ray Stevenson, que acabava de vir da elogiada série da HBO, Roma. De certa forma, sua versão do Justiceiro tem bastante a ver com os produtos adultos da TV a cabo, por conta da violência gráfica bem mais explícita nesse em comparação com as outras adaptações do personagem ou mesmo da própria Marvel.

A direção está à cargo de Lexi Alexander, que vinha de Hooligans e que depois do fracasso de Zona de Guerra, passou a dirigir mais seriados que filmes – Arrow, Supergirl, How to Get Away With Murder. O modo como conduz o filme guarda bastante semelhanças com os seriados citados, uma vez que há uma clara falta de sutilezas nesse trabalho. Não há grandes construções de passado e a maior parte dos conceitos é simplesmente jogado em tela, como também aconteceu com Motoqueiro Fantasma: O Espírito da Vingança, filme de 2011 que também continha o selo Marvel Knights.

Aspectos que antes eram mais levados a sério agora são simplesmente citados. Não há um enorme debruçar sobre os motivos que fizeram Frank realizar justiça com as próprias mãos, o que é positivo, porque mostrar um terceiro filme de origem é completamente desnecessário. No entanto, a colaboração dos policiais normais com os assassinatos que ele cometeu soa forçado, mesmo que claramente haja até no campo da realidade os policiais que acham que o justiçamento é a melhor saída para a onda de crimes nas grandes metrópoles. Mesmo o drama que Castle tem por acabar acidentalmente matando um agente policial soa pueril demais.

A personificação do vilão Billy “Retalho” Jigsaw (Dominic West) começa de uma maneira positiva, com um sujeito vaidoso que é pego pelo vigilante. Após o acidente que o fez ficar deformado há uma referência ao Coringa de Jack Nicholson, em Batman, mas o que se vê depois é caricatural em um nível muito baixo. A roupa e maquiagem que West usa o faz parecer um figurante de Dick Tracy, sendo que no filme de Warren Beatty havia um propósito caricatural pré-estabelecido, e esse tenta ser um filme adulto e extremo.

A construção visual do filme é estranha, há semelhanças demais entre a fotografia desse com a dos filmes de terror populares da época, principalmente com as continuações de Jogos Mortais. Inclusive o gore é semelhante, variando entre o visto na saga citada, com elementos visuais semelhantes ao clássico trash Riki-oh.

O desfecho é tão infantil quanto o restante do filme, que sofre com um roteiro bem mal pensado por Nick Santora, Art Marcum e Matt Holloway. É difícil inclusive avaliar o desempenho de Stevenson como veterano de guerra que decide fazer justiça com as próprias mãos após chacinarem sua família, já que as situações que lhe são propostas são tão risíveis que mal há como avaliar de maneira minimamente justa.

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