Cinema

[Crítica] Kiri - Profissão: Assassino

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Kiri 1

Valendo-se da experiência de seu realizador Koichi Sakamoto enquanto diretor de séries televisivas tokusatsus, Kiri: Profissão Assassino conta uma história que precisa da modernidade para dar certo, já que gira em torno de um site ilegal, chamado “Assassinos”, que serve para contratar matadores de aluguel e leilões, resultando também no óbito de quem o contratante chame.

A trajetória dos personagens é genérica, focada em Kiri (Yumiko Shaku), uma bela e jovem moça que é treinada para exercer o papel de fria executora de pessoas, e que com o tempo evolui o bastante para espionar a operação do site. A jornada é de vingança, já que a personagem-título vai em busca de um dos funcionários que marcou seu passado, cuja sede por sangue é bem maior do que a demanda que ocorre nos pedidos on-line.

Kiri 2

O extremismo da violência é puramente gráfica, e contrasta com as curvas das belas moças que impingem a dor e a morte. As cenas de ação são bem filmadas, sobrando gore, cortes profundos e dilacerações, em uma reimaginação do que Takashi Miike faz em seu cinema, mas sem a mesma qualidade do veterano diretor. A remontagem das femmes fatales é feita muito além do simplismo visto em Resident Evil e Lucy, com uma coragem em explorar a ferocidade e hostilidade típicas da puberdade, sem medo de fazer isto através de atos de pessoas cuja juventude ainda não permite ter um pleno entendimento do valor da vida, remetendo à temática típica de mangás shonen.

O conjunto de sentimentos exibidos em tela é bastante subalterno em comparação com as lutas mostradas em tela, mesmo que um tempo demasiado seja gasto analisando os meandros e consequências desses atos. O texto, apesar de confuso, serve em todos os seus vazios para não desviar a atenção do público sobre o que importa dentro do longa, rendendo um entretenimento repleto de sangue, pele e agressividade, de fácil esquecimento minutos após seu termino, descartável como os gibis japoneses de material barato.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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