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Crítica | Lanterna Verde

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green lantern

Dois meses de atraso para estrear e uma avalanche de críticas negativas acabam com qualquer hype que um filme poderia ter. E com o produto final revelando-se, de fato, ruim, chega a ser melancólico comentar a estréia de Lanterna Verde, que finalmente chegou ao Brasil no dia 19 de agosto, ficando na, hã... lanterna dentre os filmes de super-herói que saíram em 2011. Tanto na ordem de lançamento quanto na qualidade.

Dessa vez conhecemos Hal Jordan, um piloto de testes da Ferris Aeronáutica, muito bom no que faz, porém irresponsável e meio babaca. Hal vive ao mesmo tempo inspirado pela figura do pai, também piloto, e assombrado por sua morte num acidente. Completa o quadro um caso mal resolvido com Carol Ferris, sua colega e filha do chefe. Sua vida muda quando ele encontra uma nave caída com um alienígena roxo moribundo, que lhe entrega um anel e diz que Jordan foi escolhido como seu substituto na Tropa dos Lanternas Verdes. Mas o que raios é isso? Uma força policial intergaláctica criada pelos Guardiões do Universo, seres muito antigos, sábios e poderosos, a Tropa é composta por 3600 membros que patrulham todo o cosmo. Cada um armado com um anel capaz de manipular a energia verde da Força de Vontade e criar construtos limitados apenas pela imaginação do usuário. Agora, porém, todos estão sobre a ameaça do terrível Parallax. Inclusive a Terra.

Por essas poucas linhas, percebe-se que o Lanterna Verde tem um universo e mitologia muito ricos, que se fosse bem trabalhados poderiam render bastante na adaptação para o cinema. Infelizmente não foi o que aconteceu. O roteiro escrito por Greg Berlanti, Michael Green, Marc Guggenheim e Michael Goldenberg é raso, mal desenvolvido e cheio de furos. Somando isso à direção apenas burocrática de Martin Campbell e atuações pouco inspiradas, o resultado é um filme fraco, desinteressante, e que não empolga em nenhum momento.

Vamos chutar cachorro morto e detalhar os problemas. Spoilers a seguir, continue lendo por sua conta e risco. Começando pelo protagonista, a escolha de Ryan Reynolds foi bastante criticada, apesar de ele já ter mostrado que sabe atuar em filmes como Enterrado Vivo. Aqui ele trabalha no limite entre mediano e ruim, claramente mais a vontade nas cenas cômicas. Mas nem o melhor ator do mundo se sairia bem com esse roteiro. A famosa “jornada do herói” é feita de forma pífia. Hal é apresentado como alguém que sempre foge quando a situação fica difícil, e basta um discursinho meia-boca por parte de Carol pra que ele mude da água pro vinho. Aliás, na questão de desistir é que houve o maior atentado contra o personagem dos quadrinhos. No filme, Jordan tem seu momento mimimi e resolve abandonar o treinamento da Tropa na primeira lição de moral que ouve de Sinestro. Quem conhece as hq’s sabe que ele jamais faria isso, ia é partir pra porrada.

Puxando o gancho de Sinestro e da Tropa em si, lamentável o pouco espaço em tela que eles têm. Sejamos sinceros, eles não fazem NADA no filme! Tudo bem, vemos a arrogância aristocrática de Sinestro, numa boa atuação de Mark Strong (apesar dos olhos bizarra e desnecessariamente aumentados). Mas ele limita-se a proferir alguns discursos, e pior, o roteiro não desenvolve em nada sua visão mais dura e praticamente fascista do papel da Tropa, o que seria vital para o novo status quo que o personagem deve ter em futuras continuações. Dos demais Lanternas, Tomar Re é um figurante com falas, e Kilowog é Kilowog, ou seja, FODA. Com seus míseros segundos em cena, ele é a melhor coisa do filme.

Talvez o que tenha prejudicado uma melhor apresentação que a Tropa poderia ter, foi a grande parte da narrativa passada na Terra. Peter Sarsgaard é um bom ator, mas a presença de Hector Hammond como subvilão poderia ter sido facilmente limada, com Hal enfrentando alguma ameaça espacial menor como parte do treinamento. Em vez disso temos muita atenção em cima de um personagem insosso e uma tentativa patética de triângulo amoroso. Aliás, Blake Lively é uma gracinha, mas sua Carol Ferris passou longe da mulher forte e decidida dos quadrinhos.

Também como ponto negativo, tudo envolvendo Parallax. Aqui ele não é a Entidade Amarela, manifestação viva do Medo, e sim um Guardião corrompido por essa energia. E em certo momento os Guardiões decidem que a melhor forma de combate-lo é utilizando a energia amarela do medo. Tipo... HEIN?! Fora o visual clichêzão de nuvem de fumaça com rosto ameaçador. E nem vou falar da Tropa não fazendo NADA, Hal tendo que enfrenta-lo sozinho, e uma solução besta e anticlimática pra derrotar um inimigo mega poderoso (Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado mandou um abraço).

Enfim, o filme não tem pontos positivos? Já falei do Kilowog, né? E por mais legal que seja ver os Lanternas usando vários construtos energéticos, os efeitos visuais e as cenas de ação ficaram apenas ok, nada demais. Saldo final: um filme não ofensivamente ruim, mas muito decepcionante, tendo em vista o potencial desperdiçado. Mesmo com a bilheteria fraca, o estúdio já declarou o interesse em fazer uma seqüência. Esperemos que a lição seja aprendida e a Warner/DC consiga provar que pode ter vida inteligente no cinema além do Batman (ou melhor, além do Nolan). Até lá, a Marvel segue reinando soberana...

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Texto de autoria de Jackson Good.

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