Cinema

[Crítica] Lembranças de Um Amor Eterno

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Giuseppe Tornatore volta aos cinemas com um filme que transita entre as alegorias das artes cênicas, englobando o teatro e o próprio cinema, e a instantaneidade​ dos diálogos frios, vazios e efêmeros das plataformas de comunicação à distância.

Em Lembranças de Um Amor Eterno, Tornatore nos apresenta, logo em sua primeira cena, um casal apaixonado - talvez exageradamente apaixonado. É bastante visível aqui a tentativa de elevar a intensidade dessa relação à enésima potência. Algo que nos situa no exagero que dá a tônica do filme, mas também nos faz questionar a autenticidade de tal relação. Existe uma atmosfera de eternidade muito frágil no que tange o par romântico, bastante explicitada por um roteiro inconstante e inconsistente. Roteiro, aliás, assinado pelo próprio diretor, que apresenta com um didatismo por vezes exagerado a dinâmica do filme.

Ed Phoerum, interpretado com alguma elegância por Jeremy Irons, mantém uma relação remota com a estudante Amy Ryan. Os dois se comunicam através de cartas e vídeos e mantém esse diálogo seriado mesmo após a morte do professor. Se a primeira vista o roteiro parece presunçoso, escapista e onírico, ele se desenvolve exatamente dessa maneira. São poucas as sequências que empolgam o espectador a passar mais tempo se dedicando ao entendimento da fita. Olga Kurylenko, no papel de Amy, passa pouca ou nenhuma credibilidade quanto as sensações que o roteiro tenta imprimir à personagem.

O filme esbarra ainda em algumas limitações de enredo. Embora as subtramas do casal, como os seus contextos familiares, por exemplo, apresentem um novo ar para uma história segmentada, pouco material é oferecido para que o público efetivamente se importe com o que se desenrola na tela.

A nuance experimental empregada em algumas sequências protagonizadas por Amy conferem novidade e autenticidade à produção. Geram também a dúvida sobre os motivos que levaram Tornatore a não explorar uma linguagem mais fresh ao longo de toda a trama. Como também assina o roteiro, o diretor tinha total liberdade para conduzir o longa para a direção que bem entendesse. No fim das contas, escolheu mal. Lembranças de um Amor Eterno é um filme com pouco a oferecer e menos ainda a impressionar.

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Texto de autoria Marlon Eduardo Faria.

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